PF afasta Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão por faltas injustificadas
PF afasta Eduardo Bolsonaro por faltas injustificadas
A Polícia Federal optou pelo afastamento preventivo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do cargo de escrivão devido a faltas injustificadas. A decisão, formalizada em um despacho da corregedoria regional no Rio de Janeiro, também exige a entrega da arma funcional e da carteira profissional em um prazo de cinco dias úteis.
Essa medida foi determinada em 10 de fevereiro e divulgada publicamente nesta quinta-feira (26). O afastamento se segue a uma ordem anterior da corporação, datada de 2 de janeiro, que exigia o retorno imediato de Eduardo às suas funções. Na ocasião, foi ressaltado que “a ausência injustificada poderia resultar em providências administrativas e disciplinares”. Contudo, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro permaneceu nos Estados Unidos, onde reside desde março de 2025.
Eduardo ainda não se manifestou sobre o afastamento. No momento em que recebeu a ordem de retorno ao Rio de Janeiro, ele comparou a situação à "Gestapo" e criticou a liderança da Polícia Federal, chamando-os de "bajuladores de tiranos".
"Não abdiquei de todos os privilégios parlamentares para me sujeitar aos caprichos dos bajuladores de tiranos, que chefiam a Polícia Federal. Que a Gestapo faça o que bem entender com meu concurso público, jamais trocaria minha honra por um emprego na burocracia pública", declarou em suas redes sociais.
Recentemente, após desavenças, Nikolas Ferreira reafirmou seu apoio a Flávio Bolsonaro.
Eduardo havia se afastado da Polícia Federal para exercer o mandato de deputado federal, função que também foi perdida devido ao acúmulo de faltas em sessões deliberativas. Foram registradas 59 ausências até dezembro, superando o limite constitucional e resultando na perda do cargo.
A trajetória de Eduardo na Polícia Federal abrange passagens por diversas unidades entre 2010 e 2014, em locais como Guajará-Mirim (RO), Guarulhos (SP), São Paulo e Angra dos Reis (RJ). Após esse período, ele ingressou na política, consolidando sua carreira parlamentar.
Nos Estados Unidos, Eduardo buscou apoio internacional para pressionar autoridades brasileiras, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do processo contra seu pai, que é acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Sua ofensiva perdeu força após negociações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o então presidente norte-americano Donald Trump, que resultaram na retirada de sanções e tarifas contra o Brasil.
Desde julho, sem salário, Eduardo também teve contas e bens bloqueados por decisão judicial, uma medida que visa dificultar sua atuação fora do país. A Câmara dos Deputados confirmou que os valores foram retidos após notificação oficial da decisão.
A situação jurídica de Eduardo se agravou com o avanço de processos no STF, onde ele se tornou réu por suposto crime de coação ao articular sanções contra autoridades brasileiras. A decisão foi unânime pela Primeira Turma da Corte, com base em denúncia da Procuradoria-Geral da República.
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