Petróleo dispara 7% e brent supera US$ 82 o barril com extensão do conflito no Irã
Petróleo registra alta de 7% e Brent supera US$ 82
03/03/2026 07h57
O valor do petróleo aumentou significativamente devido à escalada do conflito entre os EUA e Israel contra o Irã. Teerã ameaçou fechar completamente o Estreito de Ormuz, enquanto um incêndio em um importante centro de armazenamento nos Emirados Árabes Unidos destacou os riscos ao fornecimento de energia.
O Brent, referência global, ultrapassou os US$ 82 por barril, alcançando o maior preço desde janeiro de 2025, após uma alta de cerca de 7% na segunda-feira. O incêndio na zona industrial do emirado de Fujairah, causado por destroços de um drone interceptado, foi controlado, mas representa uma das várias interrupções na infraestrutura energética da região.
Os mercados de energia foram impactados pela rápida escalada da guerra, com o Irã retaliando contra Israel e países que abrigam forças americanas, interrompendo o trânsito de petroleiros e gasodutos pelo Estreito de Ormuz. O presidente Donald Trump declarou que os EUA tomariam as medidas necessárias para atingir seus objetivos, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio indicou que a campanha militar estava prestes a intensificar.
A China, maior importadora de petróleo do mundo, pediu a todas as partes envolvidas que garantissem a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz. Em resposta, um conselheiro da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que as forças iranianas “incendiarão qualquer navio que tentar passar” pela região. Embora a oferta em outras áreas tenha ajudado a conter a alta dos preços, uma interrupção prolongada poderia levar os países a reduzir a produção.
Analistas do JPMorgan Chase & Co., incluindo Natasha Kaneva, alertaram que, com o Estreito inativo, o tempo está se esgotando. Caso os estoques se encham, alguns produtores do Golfo Pérsico poderão ser forçados a diminuir a produção nas próximas semanas. Os aumentos de preços, por enquanto, permanecem contidos, refletindo que um prêmio de risco já está precificado.
Os preços do gás natural e de derivados de petróleo, como o diesel, subiram mais do que os do petróleo, o que pode gerar uma onda de inflação global. O preço do carvão também teve alta.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, pediu que todas as partes cessem imediatamente as operações militares e salvaguardem a segurança da navegação.
Os indicadores de petróleo sinalizam uma escassez iminente. O spread à vista do Brent, que mede a diferença entre os contratos mais próximos, aumentou para US$ 1,93 por barril, um padrão de alta, enquanto a diferença entre os contratos de Brent para dezembro de 2023 e 2027 subiu para aproximadamente US$ 3,80.
A infraestrutura energética está sob ameaça. A Saudi Aramco interrompeu operações em sua refinaria de Ras Tanura após um ataque com drone, e o Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito em sua principal instalação de exportação devido a um ataque iraniano.
O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz praticamente parou, afetando um quinto do petróleo mundial e uma parte semelhante de gás natural liquefeito.
Os custos de transporte de petróleo do Oriente Médio para a China dispararam, atingindo o maior nível já registrado, com os lucros na rota de referência do setor chegando a US$ 424.000 por dia.
O Brent para entrega em maio subiu 6,0%, alcançando US$ 82,42 o barril, enquanto o WTI para abril teve alta de 6,1%, chegando a US$ 75,61.
Em pronunciamento, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã não tem desavenças com os países vizinhos, mas está enfrentando soldados americanos. Os EUA manifestaram apoio a uma mudança de regime em Teerã, incentivando a população a derrubar o governo.
Analistas do ANZ Group Holdings Ltd., incluindo Daniel Hynes, alertaram que a guerra está entrando em uma fase perigosa. Quanto mais o conflito persistir, maior será o impacto no mercado de petróleo.
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