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Petróleo a US$ 80 pode elevar IPCA em 0,25 ponto, diz consultoria

Alta do petróleo pode impactar inflação brasileira

Com a recente elevação nos preços do petróleo, se a commodity se estabilizar em torno de US$ 80 por barril, a inflação no Brasil poderá sofrer um aumento de 0,25 ponto percentual, conforme aponta um relatório da Tendências Consultoria.

As previsões indicam que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) poderá ficar próximo de 4,1% em 2026, refletindo o efeito da pressão sobre os preços dos combustíveis e suas consequências na cadeia produtiva.

Esse efeito inflacionário será repassado pelos ajustes de preços realizados pela Petrobras.

A consultoria também analisou a situação atual no Oriente Médio, afirmando que o Brasil não será impactado no curto prazo.

Os conflitos na região, especialmente com o Irã, provocaram um aumento de 43,5% no preço do gás, reacendendo o risco de um choque energético.

A Petrobras descartou a possibilidade de interrupções significativas nas operações de compra e venda de petróleo.

"Com nossa projeção de 4,1% para o IPCA em 2026, esse cenário alternativo representa um impacto moderado, mas que pode se intensificar dependendo da resposta da taxa de câmbio. Independentemente disso, considerando a duração do conflito, os efeitos tendem a ser temporários e, em última análise, podem não afetar a inflação deste ano", acrescentou a consultoria.

A Tendências considera que o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, seria o cenário mais pessimista. Por outro lado, a reabertura do canal poderia reduzir o prêmio de risco e limitar os impactos.

A análise enfatiza que o principal canal de transmissão do conflito para o Brasil é o preço do petróleo.

Antes da escalada de tensões, o mercado operava com uma oferta mais abundante, e o preço do Brent estava em torno de US$ 65. Com os recentes ataques e o risco de interrupção no fluxo do Estreito, o barril voltou a se aproximar de US$ 80.

Se a interrupção se prolongar, os preços poderão subir ainda mais, já que a capacidade ociosa no mercado global é insuficiente para compensar uma perda significativa de oferta.

No Brasil, um aumento nos preços dos combustíveis pode impactar o setor de transportes, encarecendo fretes e custos de produção. No entanto, a Tendências não prevê, por enquanto, mudanças significativas nas projeções de crescimento econômico.

Na esfera da política monetária, a consultoria acredita que o conflito não deve impedir o início de cortes na Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária), mas pode levar a um debate sobre uma abordagem mais cautelosa.

Os efeitos no Brasil devem ser moderados, dependendo da duração das tensões no Oriente Médio.

"Enquanto não houver uma resolução para o conflito, é provável que observemos efeitos negativos sobre os ativos brasileiros, como sinalizado pela taxa de câmbio do dólar, que estava em torno de R$ 5,20 nesta manhã", ressaltou a consultoria.


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