Petrobras monitora petróleo antes de cogitar alta a combustíveis
Petrobras avalia mercado de petróleo antes de decidir sobre combustíveis
02/03/2026 15h12
Atualizado há 3 minutos
A Petrobras acompanha atentamente os desdobramentos do conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã e planeja uma semana de observação no mercado de petróleo, que teve um aumento significativo nesta segunda-feira. A decisão sobre os preços dos combustíveis dependerá dessa análise, segundo fontes internas da estatal.
Os preços do petróleo Brent chegaram a uma alta de até 13% nesta segunda, operando com um crescimento superior a 6% por volta das 13h55 (horário de Brasília), o que impulsionou as ações da empresa, que também é exportadora do produto.
A companhia enfrenta pressão para ajustar os preços dos combustíveis no mercado interno em momentos de volatilidade, embora tenha uma política que evita repassar diretamente as flutuações dos contratos futuros.
O aumento no custo do petróleo ocorreu após os ataques do Irã que interromperam o transporte marítimo no estratégico Estreito de Ormuz, após bombardeios realizados por Israel e pelos Estados Unidos, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
“Serão dias de monitoramento que poderão culminar em uma decisão na próxima semana sobre os preços dos combustíveis, porém há muitas indefinições”, revelou uma fonte anônima.
“Precisamos manter a calma e estamos atentos, mas trabalhamos sem pressa em momentos de alta”, acrescentou outra fonte.
Além disso, o comportamento do câmbio é um fator crucial na formação dos preços dos combustíveis. Um prolongamento do conflito pode levar a uma fuga de investidores dos Estados Unidos, o que poderia redirecionar recursos ao Brasil.
“Se houver descontentamento entre os americanos em relação aos gastos com a guerra, isso pode fazer o dólar cair aqui, compensando a alta do Brent”, afirmou uma das fontes.
A Petrobras também analisa os impactos do conflito nas instalações de produção de petróleo e combustíveis, além de possíveis gargalos logísticos.
Os movimentos da Opep+ estão sob vigilância, já que um aumento na produção poderia mitigar a alta do Brent ao ampliar a oferta no curto prazo. No último domingo, a Opep+ anunciou um aumento modesto na produção de 206 mil barris por dia.
Procurada, a Petrobras não se pronunciou sobre o assunto imediatamente.
PREOCUPAÇÃO COM O ESTREITO DE ORMUZ
Outra preocupação central é o possível fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo mundial. Embora o estreito nunca tenha sido totalmente fechado, relatos recentes indicam que embarcações pararam de circular e foram alvos de ataques.
Um fechamento do estreito teria um impacto significativo no fluxo global de petróleo e poderia reconfigurar o transporte de commodities, beneficiando a Petrobras em alguns aspectos, mas também obrigando a empresa a adquirir petróleo e derivados de outras regiões, possivelmente a preços mais elevados.
A estatal não apenas exporta, mas também importa diariamente petróleo para misturar com sua produção, um ponto que merece atenção.
No entanto, segundo Claudio Schlosser, diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, a empresa possui alternativas e flexibilidade para operar com custos competitivos, mesmo com os efeitos do conflito no Oriente Médio.
“A Petrobras tem rotas alternativas que garantem segurança e custos competitivos, preservando nossas margens”, declarou Schlosser à Reuters.
Ele preferiu não comentar sobre a possível alteração nos preços dos combustíveis.
O diretor ressaltou que a maioria dos fluxos de importação ocorre fora da região de conflito e que mesmo as poucas operações que existem podem ser redirecionadas.
A intensidade, extensão e duração do conflito serão determinantes para os impactos nos negócios, acrescentou.
“Não há risco de interrupção das importações e exportações neste momento”, finalizou.
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