Petrobras já vende fertilizantes a diversos Estados e mitiga riscos com guerra
Petrobras avança na venda de fertilizantes e reduz riscos de oferta
02/03/2026 14h42
Atualizado 6 minutos atrás
RIO DE JANEIRO, 2 Mar (Reuters) – Com a recente retomada de suas atividades, a Petrobras (PETR3;PETR4) já está comercializando fertilizantes nitrogenados produzidos em suas fábricas no Nordeste para diversos Estados. Essa ação tem como objetivo mitigar os riscos de oferta no Brasil em um momento de tensão no Oriente Médio, região que forneceu cerca de 35% da demanda externa brasileira de ureia em 2025.
As unidades localizadas na Bahia e Sergipe voltaram a operar nos últimos meses e já alcançaram 90% da capacidade produtiva, conforme informado pela empresa em um e-mail à Reuters. Juntas, essas fábricas são responsáveis por 12% da demanda de ureia no país, que depende fortemente de importações para atender suas necessidades.
A comercialização de ureia está sendo realizada tanto a granel quanto em “big bags” para clientes em Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.
A amônia produzida pela estatal tem como principal destino o polo petroquímico de Camaçari, na Bahia, além de outros clientes na região.
Após a volta ao controle da estatal no ano passado, as fábricas, que estavam arrendadas à Unigel, estavam inativas desde 2023 devido a dificuldades financeiras.
As tensões no Estreito de Ormuz têm gerado preocupações no mercado, com o governo iraniano ameaçando atacar navios na região, o que levou as petroleiras a suspenderem a navegação no local.
“O aumento da produção de ureia no Brasil pode ajudar a amortecer choques externos e reduzir a incerteza no mercado de nitrogenados, considerando nossa dependência de importações”, comentou Tomás Pernias, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Entretanto, ele ressaltou que o Brasil continuará dependente das importações de fertilizantes, e eventos que afetem o comércio internacional ainda serão determinantes para os preços no mercado nacional.
A retomada das operações da Petrobras é uma resposta a recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que impactaram os fluxos comerciais globais.
No ano passado, o Brasil importou cerca de 7,7 milhões de toneladas de ureia, com apenas 2% desse total proveniente do Irã. Quando considerados os volumes de todo o Oriente Médio, o país adquiriu aproximadamente 2,7 milhões de toneladas de ureia de Omã, Catar, Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
Jeferson Souza, analista da Agrinvest Commodities, observou que o poder de compra dos produtores agrícolas já estava comprometido antes do novo conflito, devido a uma relação desfavorável entre o milho e fertilizantes como a ureia.
“A situação do poder de compra já era complicada. Agora, as incertezas aumentam”, afirmou, destacando que o cenário atual é mais desafiador do que em 2022, quando a guerra na Ucrânia teve início.
Na Sergipe, a fábrica iniciou suas atividades em dezembro de 2025, operando a 90% de sua capacidade máxima, que é de 1.250 toneladas por dia de amônia e 1.800 t/d de ureia.
Na Bahia, a planta reiniciou suas operações em meados de janeiro e já superou 95% da capacidade de produção de ureia, equivalente a cerca de 1.300 t/d do produto.
A retomada das atividades das fábricas foi uma demanda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir a dependência externa do Brasil.
A Petrobras tem planos de aumentar a produção para atender 20% da demanda de ureia no Brasil com a reabertura da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná, e chegar a 35% com a entrada em operação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), no Mato Grosso do Sul, nos próximos anos.
A Ansa, que deve retomar suas atividades no primeiro trimestre de 2026, abriu recentemente concurso para preencher 126 vagas de níveis superior e médio, reforçando sua equipe e avançando no plano de retomada operacional.
A unidade paranaense possui capacidade instalada para produzir 720 mil toneladas de ureia e 475 mil toneladas de amônia anualmente.
No Mato Grosso do Sul, o projeto da UFN-3, em Três Lagoas, está na fase de contratação para a conclusão da fábrica, com a aprovação final dos investimentos prevista para o primeiro semestre de 2026, permitindo a retomada das obras ainda este ano, segundo a Petrobras.
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