Hamas

Perigo para paz: Hamas está se recompondo e vai até eleger novo líder

Cresce a Ameaça à Paz: Hamas em Processo de Reestruturação e Eleição de Novo Líder

A possibilidade de desarmamento do Hamas já era remota, mas agora torna-se praticamente inviável, colocando em risco o cessar-fogo em Gaza.

Em uma tentativa de parar as hostilidades, Donald Trump e seus enviados especiais adotaram uma abordagem inovadora. Eles pressionaram aliados árabes para que o Hamas devolvesse os reféns israelenses, enquanto deixaram para depois a questão do desarmamento. No entanto, esse "depois" já chegou. O Hamas utilizou a pausa nas hostilidades para se reestruturar, recuperando-se de severos danos infligidos por Israel, e claramente não aceita mais nenhuma proposta de desarmamento. Isso deixa aos israelenses apenas uma opção: a ação militar contra o grupo.

A trégua e a esperança de um processo de pacificação, embora complexos, poderiam ter aberto caminho para a reconstrução da região e, em um futuro distante, um Estado palestino desmilitarizado convivendo pacificamente com Israel. Contudo, com a resiliência do Hamas, essa perspectiva se torna cada vez mais distante. A razão de ser do movimento é a luta armada contra Israel.

Dentro do Hamas, há correntes divergentes que se refletem nas candidaturas à liderança. Khalil Al-Hayya representa a ala alinhada ao Irã. Ele sobreviveu à eliminação de líderes terroristas em Gaza, incluindo figuras proeminentes como Yahya e Mohammed Sinwar, além de Mohammed Deif e Ismail Haniyeh, este último morto em um ataque no Irã.

O regime teocrático iraniano fornece suporte financeiro, armamento e treinamento ao Hamas, mesmo diante das profundas divergências sectárias. Apesar de uma grave crise econômica no Irã, o financiamento ao Hamas se mantém, evidenciado pelos protestos contra o uso de recursos em "Gaza e Líbano", que alude ao Hamas e ao Hezbollah.

As manifestações no Irã são intensas, com cidadãos desafiando a repressão. Contudo, a experiência anterior sugere que o regime tem recursos para controlar a insatisfação popular, como demonstrado em 2022, quando centenas de pessoas foram mortas.

Embora haja outras fontes de financiamento, como o apoio de Catar e Turquia à candidatura de Khaled Mashaal, a situação é incerta. Mashaal deve sua segurança aos Estados Unidos, em uma ironia do cenário do Oriente Médio.

Os apoiadores de Mashaal são da ala sunita e, em conversas discretas, expressam descontentamento com a invasão de 7 de outubro de 2023, que foi promovida pela ala alinhada ao Irã.

As negociações para a próxima fase do plano de pacificação de Trump deveriam ter começado, mas o contexto é complicado, com as eleições internas do Hamas, sua reestruturação, os protestos no Irã e as pressões sobre Benjamin Netanyahu para ações militares.

A responsabilidade recai sobre Donald Trump, que tenta coordenar esforços entre aliados e adversários para evitar o fracasso de seu ambicioso plano de paz. Diversos fatores jogam contra ele, exceto uma reviravolta improvável no Irã.

Trump está determinado a tentar o que parece impossível. Seu desejo de Ano Novo de "Paz na terra" reflete sua ambição. Se ele conseguir, mesmo que apenas em termos de manter o cessar-fogo, isso será um grande feito. Com sua abordagem de "paz através da força", ele está preparado para agir caso o Irã promova mais violência contra manifestantes. O início do ano promete ser tumultuado no Oriente Médio.


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