'Perdemos três alunos da escola soterrados': a tragédia da chuva em Minas Gerais que matou ao menos 25
Tragédia das chuvas em Minas Gerais: perdas e devastação
As chuvas intensas que atingem a Região Sudeste desde a noite de segunda-feira (23/2) resultaram na morte de 25 pessoas na Zona da Mata de Minas Gerais, conforme informações do Corpo de Bombeiros. Além disso, houve vítimas e desalojados em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Minas Gerais registra o maior número de óbitos.
Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas, contabiliza 18 mortes confirmadas nas últimas 24 horas, além de 40 desaparecidos. Em Ubá, a aproximadamente 100 quilômetros de Juiz de Fora, sete mortes foram reportadas e três pessoas estão desaparecidas.
O volume de chuva em Juiz de Fora, em apenas sete horas, chegou a 80% da média prevista para todo o mês. A prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública, reconhecido pelo governo federal.
"Hoje é o dia mais triste dos meus cinco anos e dois meses de governo porque estamos registrando, pela primeira vez, perdas de vidas decorrentes desses fenômenos climáticos", afirmou Salomão.
A prefeitura relatou ao menos 20 soterramentos de imóveis, principalmente na região sudeste da cidade, e 440 pessoas foram desabrigadas, sendo acolhidas em três escolas.
Entre as vítimas em Juiz de Fora estão três alunos da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves: Maitê Cedlia Pereira Fernandes, e os irmãos Arthur Rafael de Oliveira Machado e Miguel Carlos da Silva Machado. A mãe de Arthur e Miguel, Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza, também faleceu.
"Perdemos três alunos soterrados e a mãe de um aluno. A situação nos bairros Bom Jardim e Linhares é devastadora. Está muito caótica e com previsão de mais chuva", declarou a diretora da escola, Delba Vieira Garcia. A escola abriu suas portas para receber desalojados e espera abrigar cerca de 60 pessoas.
O Corpo de Bombeiros recebeu um reforço de 150 agentes de outras cidades, com apoio de cães farejadores.
No bairro Parque Jardim Burnier, uma encosta deslizou, cobrindo 12 imóveis com terra. Ao menos quatro mortes ocorreram no local e 17 pessoas estão desaparecidas.
Em Ubá, choveu cerca de 170 mm em três horas e meia. O rio Ubá transbordou, atingindo 7,82 metros, provocando inundações em vários bairros. O prefeito José Damato Neto (PSD) também declarou calamidade pública, ressaltando que se trata da "maior enchente da história".
O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias e garantiu que o estado fará "tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento".
Durante uma viagem oficial à Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou o envio de equipes federais para auxiliar os municípios da Zona da Mata. Em sua rede social, Lula destacou que o governo federal já reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora, com um decreto a ser publicado no Diário Oficial da União.
"Nas próximas horas e dias, seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige. Nosso foco é garantir a assistência humanitária e o suporte à reconstrução", ressaltou.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que o volume acumulado na Zona da Mata chegou a 209,4 mm, totalizando 589,6 mm em fevereiro. As previsões indicam a continuidade das instabilidades, com novos acumulados entre 40 e 60 mm nas próximas dias.
No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu afogada em São João de Meriti, e cerca de 600 pessoas estão desalojadas. O município declarou situação de emergência, e a Rodovia Presidente Dutra foi interditada por cerca de duas horas devido a alagamentos.
Cidades da Baixada Fluminense permanecem em alerta, com o Centro de Operações da capital registrando mais de 90 ocorrências relacionadas a alagamentos e quedas de árvores.
Em São Paulo, a Defesa Civil registrou 19 mortes desde o início da Operação Verão em 1º de dezembro, número superior ao do ano anterior. O maior risco é no litoral, onde a previsão de chuva é de até 175 mm até sexta-feira (27/2), com alertas de alto risco para deslizamentos.
Peruíbe, no litoral sul, foi um dos municípios mais afetados, com 282 mm de chuva entre sábado (21) e segunda (23). A cidade tem 213 desalojados abrigados em escolas. Deslizamentos bloquearam rodovias importantes, e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais emitiu alerta de alto risco.
Na capital e região metropolitana, há previsão de pancadas de chuva com trovoadas, aumentando o risco de novos alagamentos.
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