Pela primeira vez, associação vai medir impacto das ‘canetas emagrecedoras’ nos restaurantes e bares
Impacto das ‘canetas emagrecedoras’ nos restaurantes e bares será medido
O uso crescente de Mounjaro, Ozempic e similares está transformando a oferta de pratos e bebidas em bares e restaurantes, com uma expectativa de ampliação de opções de drinques sem álcool e uma maior valorização da “experiência do ambiente”. Essa projeção é da Abrasel.
Uma empresária descreveu a nova experiência gastronômica: “A gente já chega com o ‘tanque pela metade’, sem uma vontade voraz do prato. Vinho ou cerveja perdem espaço, sobremesa só se for uma colherada”. Esse fenômeno, já observado desde o ano passado, será mapeado pela primeira vez no Brasil para entender o impacto das chamadas “canetas emagrecedoras”.
O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, explica que o comportamento dos usuários começou a se manifestar nos restaurantes de forma pontual em 2024 e ganhou força em 2025, mas ainda é restrito a estabelecimentos de classe A, devido ao alto custo dos medicamentos.
A pesquisa da Abrasel, que se inicia no próximo mês, abrangerá diversos tipos de cardápios, incluindo menus executivos, rodízios e restaurantes por quilo, com a participação de dois mil associados.
Além de identificar possíveis impactos negativos, como aumento do desperdício de comida e diminuição da frequência, a pesquisa busca destacar ações bem-sucedidas que possam ser replicadas.
Soluções já adotadas por alguns estabelecimentos incluem:
1. Maior oferta de drinques sem álcool
Usuários de medicamentos frequentemente têm restrições ao consumo de álcool, o que está impulsionando a criação de mocktails e vinhos sem álcool. O Brasil, atualmente, é o segundo maior consumidor mundial desse mercado.
2. Menus personalizados para clientes de medicamentos
Restaurantes estão criando “Menus Mounjaro”, com porções menores e preços reduzidos, semelhante ao já conhecido “menu Kids”. O McDonald's também está considerando uma versão adaptada para este público.
3. Aumento da proteína nos pratos
Os medicamentos promovem uma preferência por alimentos ricos em proteínas, como carnes e vegetais. Essa tendência pode levar os restaurantes a focar mais nesse tipo de alimento, reduzindo a ênfase em carboidratos.
4. Sobremesas compartilhadas
A prática de compartilhar sobremesas deve se consolidar, com os restaurantes incentivando essa experiência social, que permite aos clientes desfrutar de momentos juntos, mesmo com a redução do apetite.
Patrícia Ferraz, colunista de Paladar, observa que os restaurantes precisam adaptar suas ofertas para atender a um público que busca socialização, mesmo que a vontade de comer esteja diminuída. A experiência gastronômica deve ser priorizada para evitar a quebra de estabelecimentos que não se adaptarem a essa nova realidade.
Por fim, a relação dos clientes com a comida está mudando, e o acesso a esses medicamentos ainda permanece restrito a uma parcela da população. Contudo, bares e restaurantes estão em posição privilegiada para observar e entender essas transformações sociais.
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