São Paulo

Pedro Lopes: São Paulo de Casares fez contrato de R$ 5 mi ignorando alertas do jurídico

Contrato de R$ 5 milhões do São Paulo gera polêmica

A gestão de Julio Casares no São Paulo desconsiderou alertas do departamento jurídico sobre a empresa FGoal Marketing e Eventos, resultando em um contrato de exclusividade para a exploração de alimentos e bebidas no Morumbi.

Documentos obtidos pela coluna revelam que o jurídico do clube destacou a falta de experiência e de um histórico sólido da empresa, além de possíveis danos à reputação do clube. Em pelo menos três relatórios, foi mencionada uma alta probabilidade de impactos negativos significativos.

O contrato com a FGoal foi rescindido em fevereiro, já sob a gestão de Harry Massis Jr. O clube alegou saques não autorizados que totalizavam quase R$ 200 mil. A empresa, por sua vez, contesta essa rescisão e entrou com uma ação cobrando R$ 5 milhões.

Procurada, a FGoal afirmou, por meio de seus advogados, que cumpria todas as suas obrigações e que questões relacionadas a relatórios internos pertencem ao clube.

Análise do contrato

A proposta de cessão à FGoal começou a ser avaliada no final de 2022. Fontes do clube afirmaram que a empresa foi indicada por Mara Casares, ex-diretora, e Antonio Donizete Gonçalves.

Na primeira análise, em novembro de 2022, a FGoal era uma microempresa de marketing digital, sem experiência no setor de alimentos e bebidas. O jurídico classificou a proposta como de alto risco, ressaltando a falta de estrutura e registros de empregados.

Uma nova avaliação, em dezembro, reafirmou o alto risco, apontando que a empresa não demonstrava a experiência necessária e que as notas fiscais apresentadas não comprovavam a prestação de serviços.

Após o segundo relatório, Antonio Donizete, então diretor social, enviou um e-mail ao departamento jurídico elogiando os serviços da FGoal e solicitando a efetivação do contrato, mesmo diante dos alertas.

Desdobramentos e rescisão

Em março de 2024, um novo contrato foi assinado, embora o jurídico tivesse emitido um terceiro relatório destacando os riscos associados. O contrato, que se estendia até dezembro de 2029, foi firmado no dia 17 de maio de 2024.

Após o impeachment de Julio Casares, o São Paulo rescindiu o acordo em 5 de fevereiro. A FGoal processou o clube, alegando que a rescisão foi motivada politicamente.

A notificação de rescisão do São Paulo detalhou saques não autorizados de mais de R$ 200 mil em contas do clube, realizados pela FGoal. A empresa defendeu que todas as movimentações estavam autorizadas durante a gestão de Casares.

A coluna continuará acompanhando os desdobramentos deste caso que envolve questões de gestão e compliance no São Paulo.


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