super

Pecadores: o que são as “juke joints”, pano de fundo do filme indicado ao Oscar

Com 16 indicações ao Oscar, o longa-metragem celebra o blues e suas juke joints. Este artigo apresenta cinco estabelecimentos fundamentais na história do gênero musical.

“Pecadores” é o filme que detém o recorde de indicações ao Oscar, destacando-se com 16 nomeações, duas a mais que os anteriores recordistas: A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land (2016). Entre as indicações, estão Melhor Filme, Melhor Direção para Ryan Coogler (conhecido por Pantera Negra e Creed), Melhor Elenco, além de Melhor Ator para Michael B. Jordan, que interpreta os gêmeos Smoke e Stack, protagonistas que decidem abrir uma juke joint.

Esses locais, que funcionavam como bodega com música ao vivo, eram refúgios para agricultores negros na região do Rio Mississippi. As juke joints foram cruciais para o desenvolvimento do blues, gênero homenageado pelo filme.

A seguir, apresentamos a história de cinco juke joints emblemáticas:

1) Three Forks, Gleenwood (Mississippi)

Diz-se que o músico Robert Johnson, um dos mais icônicos bluesmen, vendeu sua alma ao demônio em troca de talento. Ele se tornou parte do “clube dos 27” após sua morte precoce em 1938. A versão mais aceita sobre sua morte envolve uma dose envenenada de uísque, em vingança pela traição à esposa do proprietário do Three Forks.

2) Club Ebony, Indianola (Mississippi)

B.B. King, figura central no blues, nasceu e cresceu em uma plantação de algodão. Frequentava o local de John Jones, que permitia a entrada dos meeiros mesmo sem dinheiro durante a semana, cobrando apenas aos sábados. Após várias mudanças de propriedade, King comprou e reformou o espaço em 2008.

3) Blue Front Cafe, Bentonia (Mississippi)

Considerada a mais antiga juke joint em operação, o café foi palco do clipe de “Crawling King Snake”, da banda Black Keys, em 2021. Este blues, de origem desconhecida dos anos 1920, teve uma versão famosa gravada pelo Doors. No café, surgiu um estilo de tocar violão conhecido como Escola de Bentonia.

4) Gip's Place, Cleveland (Mississippi)

O local ficou famoso por suas jam sessions caseiras, iniciadas por Gip Gipson em 1952. Ele continuou a realizar esses encontros até sua morte, aos 99 anos, em 2021. Durante esse tempo, sua varanda se transformou em um bar. Gip recebeu um violão de Chuck Berry e até a visita de Keith Richards, sem nunca regularizar seu estabelecimento, que foi alvo de tentativas de fechamento pela polícia em 2013.

5) Dockery Farms, Bessemer (Alabama)

Esse latifúndio, situado no coração do condado de Sunflower, abrigava 35 mil agricultores negros nos anos 1920. A música era uma parte essencial da vida social, com violões trazidos por trabalhadores mexicanos. Charley Patton, conhecido como o pai do blues, ganhou fama nas festas da fazenda, que também recebeu ícones como Howlin’ Wolf e John Lee Hooker, que foram lá para aprender com ele.


← Voltar para as notícias