PEC do fim da escala 6×1 pode causar novo racha no União Brasil
PEC que extingue a escala 6×1 gera novas tensões no União Brasil
A tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 criou um novo foco de tensão interna no União Brasil, intensificando as divergências entre as correntes do partido na Câmara dos Deputados. O presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, alinha-se ao bolsonarismo e busca barrar a proposta na Comissão de Constituição e Justiça. Por outro lado, a possível nomeação do deputado Paulo Azi (União-BA), próximo ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, para relatar a matéria pode posicionar uma facção do partido em destaque nas discussões.
O debate se intensificou após Rueda declarar, em encontro com empresários, que pretende impedir o avanço da PEC no plenário. Ele defendeu uma estratégia para prolongar a tramitação nas comissões: “Eu defendo aqui uma posição junto com o Valdemar [Costa Neto] e que a gente possa construir uma habilitação dentro das comissões, principalmente na CCJ, onde a gente tem o presidente lá que é o deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA) para a gente poder ir ‘barrigando’ isso aí”.
Rueda também mencionou que deputados do próprio partido enfrentariam dificuldades políticas para se opor à medida em ano eleitoral. “Eu tenho aqui o deputado Maurício Carvalho, que é do meu partido em Rondônia. Ele sabe a dificuldade que é se isso for para a votação e votar contra. Ele vai perder dividendos eleitorais, ele vai perder votos. É uma posição muito cruel para quem está disputando uma reeleição do mandato”, afirmou.
Nos bastidores, a possível relatoria de Paulo Azi – parte de um grupo interno do União Brasil focado em debates econômicos e oposição ao PT – é vista como uma oportunidade para ampliar as negociações do partido com o governo e outros blocos. Como relator na CCJ, cabe a ele avaliar a admissibilidade constitucional da proposta e dialogar com diferentes setores.
Esse cenário cria uma situação delicada na legenda. Enquanto a direção nacional busca estancar a PEC, setores do partido podem assumir um papel ativo na condução do texto, o que abre espaço para posturas mais pragmáticas ou moderadas durante o processo. A discussão ocorre em um momento em que o fim da escala 6×1 se tornou uma das principais pautas do governo federal no Congresso, mobilizando tanto congressistas quanto entidades empresariais.
Paralelamente, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sido incentivado por aliados a adotar uma postura mais ativa na condução da proposta, centralizando negociações e acelerando a tramitação, de forma similar ao que ocorreu na reforma tributária. Motta já encaminhou as PECs à CCJ e iniciou um diálogo direto com o Palácio do Planalto sobre os próximos passos, um movimento visto como sinal de apoio ao avanço do debate. Interlocutores consideram que, ao coordenar as conversas entre governo e Congresso, o deputado pode concentrar o protagonismo da pauta e mitigar disputas internas sobre o formato final do texto. Os dividendos eleitorais também estão na mira do presidente da Câmara.
Na CCJ, propostas que reduzem a jornada semanal atual e alteram a organização dos dias de trabalho estão apensadas, mas o conteúdo pode ser modificado em etapas posteriores, caso avance para uma comissão especial.
Quem é Paulo Azi, o provável relator da PEC
Natural de Salvador (BA), Paulo Azi nasceu em 1963 e possui formação em engenharia civil pela Universidade Federal da Bahia e em administração de empresas pela Universidade Católica do Salvador. Antes de entrar na política, trabalhou em empresas e órgãos públicos relacionados à infraestrutura e desenvolvimento regional.
Sua trajetória política começou na Assembleia Legislativa da Bahia, onde exerceu três mandatos consecutivos como deputado estadual entre 2003 e 2015. Na Câmara dos Deputados, iniciou seu primeiro mandato federal em 2015, inicialmente pelo Democratas, que posteriormente se fundiu ao PSL para formar o União Brasil.
Em Brasília, Azi já ocupou posições de liderança e desempenhou funções importantes nas articulações políticas do Centrão. Foi vice-líder partidário em diversos momentos e assumiu o cargo de vice-líder do governo em 2020. Também presidiu o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar de 2021 a 2023, além de participar de colegiados relacionados à agricultura, turismo e Constituição e Justiça.
Em 2025, ganhou mais destaque ao assumir a presidência da CCJ, considerada a comissão mais relevante da Câmara por ser a porta de entrada das propostas legislativas antes da análise em plenário.
← Voltar para as notícias