João Gabriel de Mello Yamawaki

PCC tenta se infiltrar nas eleições municipais de 2024, aponta investigação

Investigação aponta infiltração do PCC nas eleições municipais de 2024

A Operação Decurio resultou no bloqueio de R$ 8,1 bilhões em bens e levou à decretação de prisão de um suspeito que coordenaria a eleição de vereadores supostamente apoiados pela facção. Candidatos foram proibidos de exercer cargos eletivos. A defesa de João Gabriel de Mello Yamawaki, Matie Obam e Kenzo Obam declarou que as acusações são infundadas e carecem de provas, enquanto o Estadão busca contato com os demais citados.

Investigadores revelaram que o Primeiro Comando da Capital (PCC) está tentando se infiltrar nas eleições municipais de 2024, lançando candidatos a cargos. A Operação Decurio, deflagrada em 6 de setembro, pela Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, de São Paulo, apontou que João Gabriel de Mello Yamawaki lidera o "núcleo político" da facção e teve sua prisão decretada.

Dois candidatos a vereador foram alvos da operação, um pelo União Brasil em Mogi das Cruzes e outro pelo PSD em Santo André. A Justiça impôs medidas restritivas, como a proibição de se ausentar das comarcas e a obrigação de se recolher em casa à noite. O PSD não se manifestou, enquanto o União Brasil anunciou a abertura de um processo para investigar as denúncias.

Yamawaki, identificado como articulador do grupo, é um dos responsáveis por um esquema de lavagem de dinheiro da facção. As investigações revelaram que ele, junto com outros três acusados, gerenciava o movimento de recursos ilícitos, que seriam utilizados nas eleições. Ele é um dos 20 acusados com prisão temporária decretada.

A Justiça identificou que a Rede Kampai Restaurantes, com a sócia Matie Obam, estaria envolvida na lavagem de dinheiro da organização criminosa, movimentando mais de R$ 100 milhões durante o período investigado.

A defesa de 4TBank, João Gabriel, Matie Obam e Kenzo Obam afirmou que as acusações são infundadas, destacando que a fintech opera de acordo com as leis brasileiras e possui um lastro financeiro comprovado.

Outro suspeito, Thiago Rocha de Paula, é citado como possível candidato a vereador e tem relações com membros da facção. Ele é acusado de receber valores da empresa 4TPAG, utilizada para movimentar dinheiro ilícito e figura como candidato a vereador em Santo André.

O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello autorizou a operação, bloqueando R$ 8,1 bilhões em bens e expedindo 22 prisões temporárias e 55 mandados de busca e apreensão. Até o momento, 13 pessoas foram detidas, incluindo o advogado Ahmed Hassan Saleh, que teve bens apreendidos durante a operação.

Além do "núcleo político", a investigação revelou outros quatro núcleos da facção, com início há um ano após a prisão de Fabiana Manzini, suspeita de guardar drogas. Ela atuava como comunicadora entre membros presos e aqueles em liberdade.

Entre os núcleos, foram identificados advogados que facilitam a comunicação entre presos e suas famílias. O magistrado proibiu a entrada de seis advogados investigados nas penitenciárias durante a apuração.

A investigação também revelou conexões com a UPBus, empresa que opera linhas de transporte em São Paulo, e que foi alvo de intervenção judicial por suspeitas de lavagem de dinheiro. O advogado Saleh é considerado um elo entre a facção e as operações financeiras ilícitas.

Entre os bens sequestrados estão empresas de marketing esportivo, redes de restaurantes e um banco, além de pessoas físicas como Marie, Matie e João Yamazaki, cada um com R$ 500 milhões em bens bloqueados.

Recentemente, a Operação Salus et Dignitas prendeu Janaína da Conceição Cerqueira Xavier, ex-candidata do PT a vereadora em São Paulo. O partido afirmou que Janaína nunca atuou ativamente na sigla e defendeu a investigação. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Janaína.


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