Fabiano Campos Zettel

Pastor que despejou R$ 5 milhões nas campanhas de Bolsonaro e Tarcísio é cunhado de Vorcaro

Pastor que doou R$ 5 milhões para campanhas de Bolsonaro e Tarcísio é cunhado de Vorcaro

O banqueiro Daniel Vorcaro, detido após um escândalo de desvio bilionário no Banco Master, que pode chegar a R$ 12,5 bilhões apenas do BRB, é cunhado do pastor Fabiano Campos Zettel. Este último é proprietário da Moriah Asset, um fundo que, em parceria com o BTG Pactual, adquiriu uma participação na Oakberry, a maior franquia de açaí do Brasil.

Fabiano Zettel foi um significativo apoiador financeiro da campanha de Jair Bolsonaro, tendo doado R$ 3 milhões para sua reeleição em 2022. Além disso, ele também foi o maior doador individual da campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, contribuindo com R$ 2 milhões.

Atualmente, deputados estão discutindo a criação de uma CPI para investigar o Banco Master, cuja diretoria foi presa pela Polícia Federal por liderar um esquema de fraude no Sistema Financeiro Nacional, atingindo diretamente Vorcaro.

Zettel, além de pastor da igreja Bola de Neve, é advogado e operador do mercado financeiro. Ele é casado com Natalia Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro preso. À frente da Moriah Asset, Zettel realiza investimentos em diversas empresas, incluindo o setor imobiliário.

As conexões de Vorcaro e seu cunhado surgem em meio a investigações sobre o fundo Hans 95, associado a Vorcaro, que se tornou alvo central da Operação Carbono Oculto. A suspeita é de que uma rede de fundos tenha sido utilizada para lavar dinheiro do PCC, por meio de operações que ocultavam os beneficiários finais.

O Hans 95, por exemplo, investiu R$ 124 milhões em CDBs do Banco Master em 2024. Em 2025, outro fundo, o Astralo 95, registrou R$ 622 milhões em papéis do banco, enquanto o fundo Murren 41 movimentou mais R$ 103 milhões. No total, pelo menos R$ 849 milhões foram direcionados ao Banco Master.

Adicionalmente, o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Fundo de Pensão dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, também realizaram aportes bilionários no banco de Vorcaro. O BRB tentou enganar o Banco Central para viabilizar a transferência de R$ 12,5 bilhões ao Banco Master, enquanto o Rioprevidência, sob a gestão do bolsonarista Cláudio Castro, teria investido R$ 2,6 bilhões de recursos dos servidores no banco.

A rede de fundos vinculada ao Master comprou uma mansão em Brasília para Vorcaro. O fundo Termopilas, investigado por suas ligações com o PCC, injetou R$ 1,65 bilhão na Super Empreendimentos, empresa que possuía o imóvel avaliado em R$ 36,1 milhões. Curiosamente, Zettel foi diretor da Super entre 2021 e 2024. Embora ele negue que a empresa tivesse investimentos ligados ao Hans 95 durante sua gestão, dados públicos indicam que o fundo já controlava a maior parte do capital da Super em 2024.

A tentativa de utilizar o BRB para "salvar" o Banco Master foi barrada pelo Banco Central, que impediu a realização do negócio. O senador Ciro Nogueira, aliado de Bolsonaro, tentou pressionar para que a transação fosse concluída e tentou demitir o diretor do BC responsável por bloquear a venda. Após a suspensão do negócio, o BRB fez operações fraudulentas para transferir R$ 12,5 bilhões ao Master. Enquanto tentava deixar o país, Vorcaro anunciou a venda do banco para um grupo dos Emirados Árabes Unidos, mas a transação foi impedida pelo Banco Central, que decretou intervenção no Master e a prisão do banqueiro.


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