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Paquistão declara 'guerra aberta' ao Talebã e bombardeia Afeganistão: o que se sabe sobre novo foco de tensão

Paquistão intensifica conflitos com o Talebã após ofensiva no Afeganistão

O Paquistão realizou bombardeios em território afegão nesta sexta-feira (27/2), em resposta a uma grande ofensiva do Talebã contra suas bases militares próximas à fronteira. Este episódio marca uma nova escalada nas tensões entre os dois países vizinhos.

O governo talebã declarou ter iniciado uma série de ataques a partir da noite de quinta-feira, mirando instalações militares paquistanesas. Em resposta, o Paquistão bombardeou alvos em Cabul, além das províncias de Kandahar e Paktika, que estão próximas à extensa fronteira de 2.600 km.

Ainda não há confirmação de vítimas de ambos os lados.

Os bombardeios representam um aumento significativo nas hostilidades, especialmente após um cessar-fogo acordado em outubro do ano passado, que havia sido resultado de uma semana de confrontos violentos.

O que ocorreu na quinta-feira?

Os primeiros relatos sobre a nova escalada começaram a surgir na noite de quinta-feira (26/2), quando o Talebã anunciou a ofensiva às 20h, horário local (12h no Brasil), em várias províncias, incluindo Nangarhar, Nuristan, Kunar, Khost, Paktia e Paktika.

O Paquistão rapidamente respondeu, alegando que o Talebã havia "calculado mal" e iniciado ataques não provocados em sua província de Khyber Pakhtunkhwa. As forças de segurança de Islamabad reagiram com uma "resposta imediata e eficaz".

Na madrugada de sexta-feira, o Paquistão lançou uma série de bombardeios, atacando alvos em Cabul e nas províncias fronteiriças. O porta-voz do Talebã, Zabihullah Mujahid, chegou a afirmar, mas depois deletou, que o grupo havia realizado ataques contra posições paquistanesas em Kandahar e Helmand.

Efeitos dos ataques

O Talebã afirmou ter realizado ataques aéreos contra alvos no Paquistão na manhã de sexta-feira, utilizando drones. Um oficial militar paquistanês confirmou que drones do Talebã atingiram três locais, mas todos foram destruídos.

Esses ataques são sem precedentes, mas acredita-se que o Talebã utilize predominantemente drones comerciais, o que limita sua capacidade de atingir alvos.

Um porta-voz do exército paquistanês informou que 22 alvos foram atingidos em território afegão, com alegações de que 274 combatentes do Talebã foram mortos, além de 73 postos destruídos e 18 capturados. O Paquistão também relatou 12 soldados mortos e 27 feridos.

Em contraponto, o Talebã afirmou que 13 de seus combatentes morreram e 22 ficaram feridos, incluindo civis. O porta-voz do Talebã também mencionou que sua família foi vitimada em um ataque em Jalalabad.

Reações oficiais

Ambos os lados se acusam mutuamente de iniciar os ataques, alegando pesadas baixas infligidas ao adversário. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou que suas forças foram capazes de "esmagar" a agressão, enquanto o ministro da Defesa anunciou "guerra aberta" contra o Talebã.

O Talebã, por sua vez, afirmou que retaliará se for atacado, mas não iniciará confrontos. A ONU pediu uma desescalada imediata, e o Irã se ofereceu para mediar o conflito, ressaltando a importância do diálogo durante o mês sagrado do Ramadã.

A China, próxima tanto do Afeganistão quanto do Paquistão, também pediu um cessar-fogo, enquanto a Arábia Saudita discutiu formas de reduzir as tensões com o Paquistão.

Motivações por trás do conflito

Esses novos ataques ocorrem após meses de hostilidades, com o último grande confronto registrado em outubro de 2025. O Paquistão acusa o governo talebã de apoiar "terroristas anti-Paquistão", que seriam responsáveis por ataques suicidas em seu território.

O Talebã nega essas acusações, afirmando que não usa seu território para ameaçar a segurança de outros países.

Na semana anterior, o Paquistão realizou bombardeios noturnos no Afeganistão, resultando em relatos de pelo menos 18 mortes, incluindo mulheres e crianças.

O que diferencia esta escalada?

Analistas acreditam que, apesar da desvantagem bélica do Talebã, que enfrenta um Paquistão armado com armas nucleares, o grupo tem experiência em guerras de guerrilha. O que torna essa rodada de ataques significativa é que eles visaram instalações do governo talebã, em vez de alvos terroristas.

O chefe militar do Talebã, Qari Muhammad Fasihuddin, alertou que o Paquistão pode esperar uma "resposta ainda mais decisiva" no futuro. Os ataques a locais como Abbottabad e Swabi demonstram a capacidade do Talebã de operar mais profundamente no território paquistanês do que se imaginava.

Reportagem adicional foi realizada pelas equipes da BBC no Afeganistão e em urdu.


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