Papel e celulose: setor ainda é oportunidade na Bolsa brasileira?
02/03/2026 15h01
Atualizado 12 minutos atrás
Os mercados começaram o mês em queda, influenciados pelo conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Durante a manhã, a bolsa apresentou oscilações, com mais perdas do que ganhos, e as ações iniciaram o mês no vermelho. No entanto, o setor de Papel e Celulose se destacou positivamente, apresentando ganhos modestos.
Após a abertura, as ações da Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) e Irani (RANI3) mostraram valorização. Por volta das 10h20, a Suzano registrava alta de 1,16%, a Klabin 0,15% e a Irani 0,91%. No início da tarde, as ações perderam força, com resultados mistos: SUZB3 caiu 0,33%, KLBN11 0,19%, enquanto RANI3 manteve uma alta de 0,81%.
Recentemente, o Bradesco BBI indicou que a Petrobras e a PetroReconcavo estão bem posicionadas para tirar proveito das oportunidades de curto prazo, especialmente com o aumento do preço do petróleo após os ataques ao Irã.
A análise do Bradesco BBI destaca que o mercado está preocupado com a oferta de celulose, especialmente após a revogação de licenças florestais na Indonésia, que pode afetar até 1 milhão de hectares de plantações, resultando em uma perda anualizada de cerca de 8 milhões de toneladas de biomassa de madeira e uma redução de 4 milhões de toneladas na oferta de celulose.
Em decorrência dessas preocupações, empresas como APP e APRIL, líderes globais no setor, têm adquirido grandes volumes de BHK (celulose kraft de fibra curta branqueada) sul-americana para revenda na China.
Os analistas acreditam que novas iniciativas de aumento de preços de papel devem surgir, mesmo diante da resistência dos compradores de celulose. O relatório aponta que os fornecedores ainda possuem um bom poder de barganha.
O Itaú BBA observa que o setor de celulose no Brasil ainda apresenta apetite para investimentos, mas não na “onda” esperada para 2025-2026. Em vez disso, haverá uma implementação gradual, devido a restrições práticas, como a disponibilidade de madeira, que têm atrasado cronogramas de expansão e projetos no país.
O cenário agora indica uma curva de desenvolvimento em fases, ao invés de um “boom sincronizado”, com a regularização de restrições, especialmente a expansão da base florestal.
Os analistas sugerem que a produtividade das bases florestais existentes pode impulsionar a expansão mais rápida. O Grupo Index enfatiza que priorizar a melhoria da produtividade é mais viável do que abrir novas áreas, considerando os desafios de licenciamento ambiental e logística em regiões greenfield.
Além disso, a rastreabilidade do mercado brasileiro e da América do Sul surge como um diferencial competitivo, especialmente em comparação a sistemas fragmentados da América do Norte.
Esse aspecto se torna ainda mais relevante, à medida que as exigências dos compradores elevam o valor da credibilidade da cadeia de custódia e aumentam os custos de verificação.
A estabilidade regional do Brasil se transforma em um diferencial competitivo frente às mudanças climáticas. Com o risco climático ganhando um papel prático, além da narrativa de ESG, regiões mais estáveis se destacam em termos de produtividade e risco de ativos.
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