Papa pede que padres não usem IA em homilias
Papa pede que padres evitem o uso de IA em homilias
O Papa Leão XIV orientou os padres da Diocese de Roma a não utilizarem ferramentas de inteligência artificial (IA) na preparação de homilias. Essa recomendação foi feita durante um encontro a portas fechadas na última quinta-feira, e o conteúdo foi divulgado pelo Vatican News.
Durante a conversa, o pontífice respondeu a quatro perguntas de sacerdotes, abordando temas como direção espiritual e tecnologia. Ele enfatizou a importância de evitar a “tentação de preparar homilias com inteligência artificial” e reiterou que a fé não deve ser transmitida por meio de sistemas automatizados.
Comparação entre inteligência humana e músculos
Segundo o Vatican News, Leão XIV comparou o uso da inteligência humana a um músculo que precisa ser exercitado. “Como todos os músculos do corpo, se não os usamos, eles morrem. O cérebro precisa ser usado”, afirmou. Para o Papa, é essencial exercitar a capacidade intelectual para preservá-la.
O pontífice também demarcou um limite entre tecnologia e vocação religiosa. “Dar uma verdadeira homilia é compartilhar a fé”, destacou, acrescentando que a IA “nunca poderá compartilhar a fé”. Na visão de Leão XIV, a pregação deve refletir a experiência pessoal do sacerdote e sua vivência com Jesus Cristo, especialmente em seu contexto cultural e comunitário.
Esse posicionamento surge em um momento em que o Vaticano anunciou um sistema próprio de tradução que utiliza IA, capaz de traduzir textos litúrgicos em até 60 idiomas em tempo real. A ferramenta foi apresentada no mesmo dia do encontro com os padres, mostrando que a discussão sobre os limites da tecnologia na Igreja está em andamento.
Conflitos anteriores entre a Igreja e a IA
Este não é o primeiro incidente envolvendo a Igreja Católica e a IA. Em 2023, uma imagem do Papa Francisco com uma jaqueta branca estilizada viralizou nas redes sociais, mas foi confirmada como uma criação gerada por inteligência artificial.
Leão XIV tem colocado a IA como uma questão central em seu pontificado. Ao escolher seu nome, ele se inspirou em Leão XIII, que enfrentou os desafios sociais da Revolução Industrial, sugerindo que a atual “revolução digital” também requer a atenção da Igreja. Em seus discursos iniciais, o Papa prometeu abordar os riscos da IA para a dignidade humana, a justiça e o trabalho, além de defender responsabilidade e possíveis formas de regulação para a tecnologia.
Reflexões sobre internet e redes sociais
Além da IA, o Papa também discutiu o uso da internet e das redes sociais. Ele ressaltou que uma “vida de oração” é fundamental, não devendo se restringir a uma recitação apressada do breviário, mas incluindo tempo dedicado ao Senhor.
Leão XIV advertiu sobre a “ilusão na internet, no TikTok”, referindo-se à busca por curtidas e seguidores como forma de validação espiritual. Ele alertou que confundir popularidade digital com uma autêntica conexão religiosa pode desviar a atenção da mensagem central do cristianismo.
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