'Pânico e desespero' em Dubai e Abu Dhabi: como cidades símbolos de luxo e segurança foram 'arrastadas' para conflito com Irã
Pânico e desespero em Dubai e Abu Dhabi
Crédito, REUTERS/Abdelhadi Ramahi
Autor, Vitor Tavares, da BBC News Brasil em São Paulo
1 de março de 2026 - Atualizado há 1 hora
Recentemente, a tranquilidade que caracterizava cidades prósperas do Oriente Médio, como Dubai e Abu Dhabi, foi abalada por uma escalada de violência. O caos começou no dia 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã, resultando na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
Como resposta, o Irã direcionou seus mísseis e drones a várias nações, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Catar, o Bahrein, o Kuwait, Omã, o Iraque e a Jordânia. Segundo autoridades iranianas, esses países foram alvo devido à presença militar americana em seus territórios.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou que "todos os territórios ocupados e as bases criminosas dos EUA na região foram atingidos". O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que o foco do ataque não era os vizinhos, mas sim as bases americanas.
Imagens que circularam nas redes sociais mostraram que os mísseis e drones iranianos afetaram áreas civis.
Os Emirados Árabes Unidos foram um dos países mais atingidos, recebendo até a tarde deste domingo 67 mísseis e 541 drones iranianos. Desses, 35 caíram em solo emiradense, resultando em três mortes, incluindo uma na área do aeroporto de Abu Dhabi.
O aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, também sofreu danos, deixando quatro funcionários feridos. Com os ataques, o espaço aéreo da região foi fechado e centenas de voos foram cancelados, afetando milhares de turistas, incluindo brasileiros.
Ricardo Ferreira, um assessor artístico brasileiro, estava em Abu Dhabi quando os ataques começaram. Ele relatou ter ouvido estrondos e visto mísseis atravessando o céu, sem saber que estava no meio de uma crise. "Fomos pegos totalmente de surpresa, porque não tínhamos ideia do que estava acontecendo", contou.
Na famosa ilha artificial Palm Jumeirah, em Dubai, uma explosão atingiu a região do hotel Fairmont, enquanto destroços causaram um incêndio na fachada do icônico Burj Al Arab. A situação gerou filas de turistas em busca de hospedagem.
Becky Williams, residente em Dubai, comentou sobre os mísseis que viu sendo lançados. A inquietação tomou conta da cidade, e um alerta foi enviado para que as pessoas procurassem abrigo.
Líderes do Golfo Pérsico tentavam mediar a situação antes dos ataques, que ainda não têm objetivos claros por parte do Irã, dado que os Emirados são um importante parceiro comercial do país.
A base aérea Al Dhafra, localizada ao sul de Abu Dhabi, abriga forças americanas, enquanto o porto de Jebel Ali, em Dubai, é um ponto estratégico para a Marinha dos EUA.
Ataques também foram registrados em Doha, onde mísseis direcionados à base de Al Udeid foram interceptados. O Catar criticou os ataques, afirmando que não pode aceitar ações hostis de vizinhos.
O Kuwait informou ter interceptado 97 mísseis e 283 drones lançados pelo Irã.
Frank Gardner, correspondente da BBC, destacou que uma linha vermelha foi cruzada com os ataques do Irã, tornando as relações entre os Estados árabes e a atual liderança iraniana extremamente difíceis de reestabelecer.
No entanto, a situação continua em evolução, com discussões em andamento no Conselho de Cooperação do Golfo sobre os danos causados. O conselho condenou os ataques e pediu ao Irã que interrompesse a agressão, enfatizando a importância do diálogo.
Enquanto isso, influenciadores e milionários que residem em Dubai compartilham suas experiências em meio à crise, refletindo uma nova realidade menos glamourosa. O criador de conteúdo britânico Will Bailey filmou os rastros de fumaça no céu, enquanto a jornalista Emma Ferey notou um clima de ansiedade entre os influenciadores na região.
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