Pais de vítima de massacre no Canadá processam OpenAI após uso de ChatGPT por atiradora
Pais de vítima de massacre no Canadá processam OpenAI após uso de ChatGPT por atiradora
A família de uma adolescente baleada durante um massacre em uma escola no Canadá abriu um processo nesta terça-feira, 10, contra a OpenAI, acusando a empresa de não ter alertado as autoridades mesmo tendo conhecimento das intenções da suspeita, que usou o ChatGPT no planejamento do ataque de 10 de fevereiro. Segundo a empresa, porém, as informações não foram divulgadas à polícia por não representarem “um plano iminente” da agressão que resultou na morte de nove pessoas, incluindo a atiradora.
Maya Gebala, de 12 anos, foi alvejada no pescoço e na cabeça durante o ataque a tiros na cidade de Tumbler Ridge. Sua mãe, Cid Edmonds, entrou com uma ação civil na Suprema Corte da Colúmbia Britânica, afirmando que a atiradora, Jesse Van Rootselaar, 18, descreveu “vários cenários envolvendo violência com armas” junto ao ChatGPT ao longo de 2025, mas nenhuma denúncia foi feita.
Em declarações anteriores, a empresa responsável pelo ChatGPT afirmou que a polícia não foi contatada devido ao fato de a usuária não ter chegado ao ponto de um plano crível ou iminente.
Jesse criou uma conta no ChatGPT antes de completar 18 anos. Ainda que a plataforma permita o acesso de menores com consentimento dos pais, a acusação alega também que nenhuma verificação de idade foi feita. Após ter sua primeira conta banida, a atiradora simplesmente abriu um novo perfil, onde continuou “planejando cenários envolvendo violência armada”, diz o processo.
A família de Gebala afirma que a OpenAI “tinha conhecimento específico do planejamento à distância da atiradora para um evento com vítimas em massa”, e que mesmo assim, nenhuma medida foi tomada. Como resultado, Maya foi alvejada três vezes, enquanto tentava trancar a porta da biblioteca da escola para impedir Jesse de entrar, resultando em uma “lesão cerebral catastrófica”.
Ao todo, o massacre em Tumbler Ridge resultou na morte de nove pessoas, incluindo cinco crianças pequenas, a atiradora, sua mãe e seu meio-irmão. O episódio foi um dos ataques a tiros mais mortais da história do Canadá e chocou a comunidade da pequena cidade, com cerca de 2.400 habitantes.
A família de Gebala também destacou a importância de uma maior transparência e responsabilidade da plataforma, afirmando que a OpenAI precisa trabalhar para prevenir eventos semelhantes no futuro.
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