Padre Egídio de Carvalho Neto

Padre terá que devolver R$ 525 mil após furtar 676 celulares

Padre deve restituir R$ 525 mil após furto de celulares

O padre Egídio de Carvalho Neto foi condenado a cinco anos, seis meses e 20 dias de prisão por roubar 676 celulares que foram doados pela Receita Federal ao Hospital Padre Zé, em João Pessoa. A sentença foi proferida pela juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, da 3ª Vara Criminal, em 13 de fevereiro, sendo divulgada pelo Ministério Público da Paraíba.

Além da pena privativa de liberdade, a magistrada impôs uma multa e determinou que o religioso devolva R$ 525 mil, equivalente ao valor dos aparelhos subtraídos, corrigido. Seu assistente, Samuel Rodrigues Cunha, também foi sentenciado a quatro anos, sete meses e 16 dias de prisão e multa. Ambos cumprirão a pena em regime semiaberto.

O valor a ser restituído será direcionado ao Instituto São José, mantenedor do hospital, e à Arquidiocese da Paraíba. As defesas dos réus informaram que já apresentaram recursos, sustentando a inocência dos acusados e alegando a ausência de provas concretas de participação no crime. A denúncia que resultou na condenação faz parte da operação “Pai dos Pobres”, realizada entre agosto e setembro de 2023. Na época, Egídio exercia funções no hospital e na Ação Social Arquidiocesana, enquanto Samuel liderava o setor de tecnologia da informação.

Em maio de 2023, os dois viajaram a Foz do Iguaçu para receber doações avaliadas em R$ 807 mil. Os produtos deveriam ser vendidos, com os recursos destinados à compra de uma ambulância nova. Em 1º de junho, 15 caixas contendo itens valiosos foram enviadas à sala da presidência do hospital sem conferência. Segundo o Ministério Público, a ordem para isso partiu do padre.

A conferência dos itens ocorreu apenas em 24 de julho, quando funcionários perceberam que 12 caixas estavam vazias. Ao final da contagem, o hospital constatou o desaparecimento de 676 celulares, avaliados em R$ 525 mil. O padre então comunicou o furto à Polícia Civil, apresentando uma lista de itens, mas não incluindo os números de IMEI.

A Receita Federal forneceu os códigos para que a polícia rastreasse parte dos celulares. Um homem declarou em depoimento ter adquirido aparelhos de Samuel. A investigação também revelou que o sistema de câmeras do hospital deixou de gravar em 26 de junho, e a direção notificou a empresa responsável apenas três dias depois, sendo Samuel o operador do sistema.

Essa é a primeira condenação criminal do padre Egídio, que enfrenta outras dez ações na Justiça paraibana. Ele foi preso preventivamente na operação Indignus, em novembro de 2023, e em abril de 2024, a Justiça concedeu prisão domiciliar devido a problemas de saúde, já que ele está em tratamento de câncer.

O Ministério Público da Paraíba identificou um suposto esquema de desvios que pode chegar a R$ 140 milhões. Os promotores apontam que os recursos deveriam custear atendimentos a pessoas carentes e a distribuição de alimentos a moradores de rua, mas o padre teria usado o dinheiro para adquirir bens imóveis e itens de luxo em seu nome e de terceiros.

Os investigadores mapearam 19 propriedades atribuídas a Egídio Neto, com a possibilidade de alienação antecipada para garantir o ressarcimento. Em agosto de 2025, parte das apurações foi enviada ao Ministério Público Federal, após indícios de uso de recursos públicos federais nas fraudes. As denúncias incluem acusações de lavagem de dinheiro, peculato, obstrução de justiça e formação de organização criminosa.


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