Padre é condenado a 5 anos de prisão e terá que devolver mais de R$ 500 mil por furto a hospital
Padre condenado a 5 anos de prisão deve devolver mais de R$ 500 mil por furto a hospital
O Padre Egídio de Carvalho Neto foi preso em novembro de 2023 e atualmente está sob prisão domiciliar.
A Justiça da Paraíba impôs uma pena de 5 anos e 6 meses de reclusão, além de multa, ao religioso por desvio de recursos públicos e furto de 600 itens eletrônicos doados pela Receita Federal a um hospital filantrópico. A instituição estava vinculada à igreja da qual ele era diretor em 2023. Juntamente com Egídio, Samuel Rodrigues Cunha, chefe do setor de tecnologia da informação, também foi condenado.
A sentença, resultado das investigações da Operação Indignus, iniciada em outubro de 2023, foi assinada em 13 de fevereiro, mas divulgada pelo Ministério Público apenas nesta terça-feira, 25. De acordo com o MP, o esquema de desvio de recursos ocorreu no Instituto São José, no Hospital Padre Zé e na Ação Social Arquidiocesana (ASA), em João Pessoa.
Segundo a denúncia, o padre e Samuel viajaram a Foz do Iguaçu (PR) em maio de 2023 para conferir e receber as mercadorias doadas pela Receita Federal. Os itens, que totalizavam R$ 807.595,31, seriam vendidos para arrecadar fundos para o hospital.
Os produtos foram escoltados até a Paraíba, chegando em 1º de junho de 2023 em um local chamado “Casarão”. Egídio e Samuel, conforme a investigação, decidiram que apenas parte dos itens ficaria no local, enquanto os mais valiosos seriam levados para a sala da presidência do Hospital Padre Zé. Quinze caixas foram então colocadas nessa sala.
O MP destacou que não houve conferência dos itens até 24 de julho. Quando as caixas foram abertas, 12 estavam completamente vazias e foram descartadas sem que as autoridades competentes fossem notificadas sobre o furto.
No total, 676 eletrônicos desapareceram, causando um prejuízo estimado em R$ 525.877,77. O caso foi reportado à Polícia Civil, que iniciou investigações. A denúncia alega que, durante o intervalo entre a chegada das caixas e a conferência, as câmeras de monitoramento do hospital apresentaram falhas.
Egídio foi preso na operação em novembro de 2023 e permanece em prisão domiciliar por motivos de saúde.
A investigação revelou que os celulares furtados foram anunciados em redes sociais a preços atraentes e vendidos por Samuel, que retirou os itens da sala em conluio com o padre.
Com base em provas apresentadas no processo, a juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, da 3ª Vara Criminal da Capital, considerou que ambos praticaram apropriação indébita. O padre foi condenado a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão, além de multa, enquanto Samuel recebeu uma pena de 4 anos, 6 meses e 16 dias, também com multa. Ambos devem cumprir a pena inicialmente em regime semiaberto.
A Justiça determinou que ambos paguem R$ 525.877,77 por danos materiais ao Instituto São José e à Arquidiocese da Paraíba, valor que será corrigido monetariamente.
Essa condenação é a primeira entre as 11 denúncias apresentadas pelo MP contra Egídio, todas relacionadas ao mesmo caso. Ao menos 19 imóveis dos 30 sequestrados judicialmente foram identificados como pertencentes ao padre, e está sendo investigado se foram adquiridos de forma ilícita.
O MP informou que as denúncias incluem práticas como lavagem e ocultação de bens, peculato, obstrução de justiça e formação de organização criminosa. A denúncia específica sobre a organização criminosa foi feita em 16 de dezembro de 2024 e, em agosto de 2025, parte dos fatos foi encaminhada ao Ministério Público Federal.
A defesa de Samuel manifestou que discorda da condenação e que pretende recorrer, alegando que ele agiu sob ordens do padre e desconhecia a origem ilícita dos bens. A defesa do Padre Egídio não foi localizada para comentário.
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