Os riscos da grande aposta de Trump no Irã: 'Não se pode mudar um regime sem tropas em terra'
Os riscos da grande aposta de Trump no Irã
Ao realizar um ataque contra o Irã, resultando na morte do líder supremo do regime, Ali Khamenei, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma aposta significativa: a de que poderá ter sucesso onde seus antecessores falharam, utilizando a força militar americana para reconfigurar o Oriente Médio.
Trump proclamará uma vitória histórica se conseguir destruir completamente o programa nuclear iraniano e provocar uma mudança de regime em Teerã apenas com poder aéreo, mesmo sem um plano claro sobre o futuro da República Islâmica.
No entanto, se a Operação Fúria Épica do Pentágono fracassar ou resultar em um conflito regional que exija a presença contínua dos Estados Unidos, Trump poderá comprometer seu legado e as chances dos republicanos de manterem o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro.
O presidente deixou claro o que está em jogo em suas declarações nas primeiras horas do ataque, afirmando que "heróis americanos podem ser perdidos". Para ele, esse seria um preço necessário para causar danos a um regime que, segundo Trump, tem semeado o caos na região desde 1979.
Enquanto o mundo observa a reação do regime iraniano após a morte de Khamenei, permanece a incerteza sobre a possibilidade de Trump evitar uma campanha militar prolongada.
Ademais, é incerto se ele conseguirá conquistar o apoio da opinião pública americana, especialmente de sua base, que em grande parte se opõe a intervenções militares no exterior.
Um momento decisivo para Trump
Trump retornou ao cargo há pouco mais de um ano, prometendo acabar com as "guerras eternas", como as do Afeganistão e do Iraque, mas agora se vê envolvido em operações militares no Irã, Venezuela e Síria.
Os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel seguiram-se a uma advertência da Casa Branca sobre um ataque caso o regime não aceitasse um acordo para abandonar seu programa nuclear, parar de produzir mísseis e retirar apoio a grupos aliados.
Trump supervisionou o ataque na noite de sexta-feira, enquanto seus assessores se reuniam na Casa Branca para acompanhar os acontecimentos em tempo real.
A morte de Khamenei é um ponto de inflexão, mas analistas alertam que a situação pode sair do controle. Um especialista afirmou que "não se pode mudar um regime sem tropas no terreno".
Os ataques de retaliação do Irã contra aliados dos Estados Unidos na região indicam uma resposta mais agressiva do que a observada após um ataque americano no ano anterior.
Consequências e reações
Um conflito prolongado poderia impactar outras prioridades de Trump, como a reconstrução de Gaza e o fortalecimento das relações com Arábia Saudita. Isso também pode desagradar seus eleitores em um momento de frustração com a economia interna.
Nos últimos dias, altos funcionários da administração expressaram preocupações sobre uma grande operação militar no Irã. Trump, por sua vez, demonstrou confiança, mas também enviou sinais contraditórios sobre os objetivos da guerra americana.
A falta de um argumento detalhado sobre a necessidade de uma guerra com o Irã e a ausência de uma aprovação prévia do Congresso para a campanha militar geraram críticas de membros de ambos os partidos.
A reação dos democratas sugere que Trump enfrentará uma batalha política interna enquanto conduz a nova guerra no Oriente Médio, especialmente com as eleições primárias se aproximando.
Como resultado, os democratas planejam discutir sua resposta à campanha militar, incluindo tentativas de limitar os poderes de guerra do presidente.
Trump, ao comentar sobre possíveis reações do Irã, fez uma observação sarcástica sobre o que poderia ocorrer após a operação militar. Sua decisão de lançar um ataque militar extraordinário poderá ser crucial para definir seu legado, especialmente em meio a um cenário político já delicado.
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