Marina Silva

Os ataques a Marina Silva e a misoginia do Congresso Nacional

Ataques a Marina Silva e a Misoginia no Congresso Nacional

Texto publicado em fevereiro de 2026

Nos últimos anos, episódios de misoginia ganharam destaque nas audiências do Congresso Nacional, especialmente em relação à ministra Marina Silva. Em maio de 2025, durante uma audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, a ministra foi atacada verbalmente por senadores. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) afirmou que “a mulher merece respeito; a ministra, não”, uma declaração rapidamente rotulada como misógina. O presidente da comissão, Marcos Rogério (PL-RO), sugeriu que a ministra “se pusesse no seu lugar”. Diante das ofensas, Marina Silva deixou a audiência, ressaltando que os ataques eram desrespeitosos tanto à sua função quanto à sua condição de mulher. Ambos os senadores têm interesses na aprovação de projetos de infraestrutura que se opõem às posições da ministra em relação às leis ambientais.

Em julho, a ministra enfrentou novas hostilidades durante uma audiência na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. Parlamentares, incluindo o deputado Evair de Melo (PP-ES), da bancada ruralista, compararam a ministra a grupos armados, como as Farc e o Hamas, e reiteraram ofensas passadas associando-a a um câncer. O deputado Cabo Gilberto (PL-PB) adotou um tom paternalista ao pedir que ela “se acalmasse”, o que foi prontamente contestado pela ministra.

Esses episódios geraram uma forte reação institucional e política. A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, junto com outras ministras como Anielle Franco, Márcia Lopes, Margareth Menezes e Sonia Guajajara, se manifestaram em notas e vídeos nas redes sociais, repudiando os ataques como ofensivos e misóginos. Elas expressaram solidariedade a Marina Silva como mulher e como figura pública. A primeira-dama, Janja Lula da Silva, também se pronunciou, demonstrando indignação pelo desrespeito e destacando a relevância do trabalho da ministra no combate ao desmatamento.

No que tange à exploração de petróleo na Foz do Amazonas, a ministra é vista como uma barreira à concessão de licenças, sendo alvo de críticas de parlamentares do Norte e da bancada do petróleo. O mesmo padrão se repete no debate sobre o “Projeto de Lei da Devastação”, que é defendido por ruralistas e empreiteiras como uma maneira de impulsionar obras. Marina Silva e sua equipe se opuseram a propostas que flexibilizam licenças e reduzem a necessidade de estudos de impacto ambiental. Outro tema relevante é a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. A ministra defende medidas rigorosas para evitar o desmatamento, enquanto parlamentares da região pressionam pela rápida liberação das obras.

Congresso Nacional, Marina Silva, meio ambiente, misoginia, Poder Legislativo.


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