Jaques Wagner

Opinião: Wagner furta protagonismo de Jerônimo tal como fez com Rui e constrói para si papel central nas relações políticas

Wagner assume protagonismo em detrimento de Jerônimo, repetindo o que fez com Rui

O senador Jaques Wagner é visto como um dos principais líderes da política baiana nesta primeira metade do século XXI. Essa visão é compartilhada não apenas por seus aliados, mas também por adversários que reconhecem sua postura republicana ao lidar com questões políticas. Contudo, nos últimos anos, Wagner tem se destacado por um novo papel: o de ofuscar o protagonismo de aqueles que ele mesmo considera protagonistas.

Recentemente, o senador anunciou a chapa completa de Jerônimo Rodrigues, com ele e o ex-ministro Rui Costa como candidatos ao Senado e Geraldo Jr. como vice. Dois dias antes, Wagner havia declarado que apenas Jerônimo poderia fazer esse anúncio. Entretanto, enquanto o governador estava na Índia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele tomou a iniciativa sem hesitação.

A saída de Ângelo Coronel do grupo também foi marcada por declarações do senador. Foi Wagner quem inicialmente defendeu a chapa "puro-sangue" petista, criando um cenário em que o parceiro para o Senado foi quase visto como um adversário. Esse movimento parecia, no entanto, bem orquestrado e alinhado com os demais envolvidos.

Essa não é a primeira vez que Wagner adota essa postura em relação a chapas majoritárias. Em 2022, ele foi quem revelou que Rui não cumpriria o acordo de renunciar para concorrer ao Senado. Essa declaração resultou na saída de João Leão, que ficou decepcionado por ter recebido essa informação através de uma entrevista de Wagner na Rádio Metrópole. Rui, que deveria ser o protagonista na resolução da crise, acabou relegado a um papel coadjuvante, cumprindo seu mandato até o fim, pois não poderia ceder a cadeira a alguém que se tornara adversário.

Em 2024, Wagner alimentou a ideia de Geraldo Jr. ser candidato a prefeito de Salvador, prometendo apoio da esquerda ao vice-governador. Ele defendeu essa ideia até o fim, convencendo Jerônimo de que era uma boa estratégia contra um prefeito bem avaliado e candidato à reeleição, Bruno Reis. A derrota foi não apenas esmagadora, mas também embaraçosa, já que o PSOL ficou com a segunda colocação. Mais uma vez, Wagner se destacou como o líder do grupo, enquanto Jerônimo ficou à sombra.

No âmbito partidário, Wagner também exerce controle sobre as decisões do núcleo duro do PT na Bahia. Nos últimos anos, a eleição do presidente regional do partido só acontece com a anuência do ex-governador. Apesar das tentativas de Rui de ter mais influência, ele acabou sendo relegado a um terceiro plano nos pleitos recentes. Wagner, por sua vez, tem se mostrado hábil em construir consensos entre os pares, sem deixar espaço para questionamentos.

É impossível discutir a política da Bahia sem mencionar Jaques Wagner. No entanto, é fundamental analisar com cuidado os momentos em que ele antecipa aliados, reforçando seu próprio protagonismo e relegando outros a papéis coadjuvantes. Assim, figuras como Rui Costa e Jerônimo Rodrigues tornam-se meros satélites em sua trajetória, algo do qual Wagner está plenamente ciente e que ele alimenta constantemente.


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