Operação contra 'núcleo político' do CV no Amazonas ... - G1
Operação Erga Omnes no Amazonas apreende bens do 'núcleo político' do CV
A ação policial resultou no cumprimento de 14 mandados de prisão, sendo oito deles no Amazonas. Entre os detidos, destacam-se a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça do estado.
A investigação revelou que o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, utilizando empresas de fachada.
Os presos são acusados de facilitar a compra de drogas na Colômbia e de lavagem de dinheiro, enfrentando charges por corrupção e violação de sigilo.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, eletrônicos, documentos, dinheiro em espécie e pelo menos três veículos, incluindo um carro de luxo. A operação, chamada Erga Omnes, foi conduzida pela Polícia Civil do Amazonas para investigar a atuação do chamado “núcleo político” do Comando Vermelho no estado. As informações foram divulgadas pela Rede Amazônica, e um balanço oficial da apreensão ainda não foi divulgado.
Os bens foram confiscados em endereços relacionados aos suspeitos em Manaus. A polícia prossegue investigando como esses bens estavam sendo utilizados pelo grupo.
Os dados indicam que a organização criminosa atuava em parceria com traficantes do Amazonas e de outros estados, movimentando aproximadamente R$ 9 milhões por ano.
Os indiciados enfrentam acusações de organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo.
Ao todo, oito pessoas foram presas no Amazonas e seis fora do estado. Entre os detidos estão:
Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, acusado de fornecer informações sigilosas a favor do grupo criminoso.
Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas, com transações milionárias ligadas ao esquema.
Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida, movimentou cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção.
Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por sua participação no esquema financeiro.
Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar, identificado como parte da rede de influência do grupo.
Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de envolvimento com o núcleo político.
Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas e também investigado.
Ronilson Xisto Jordão – detido em Itacoatiara por suposta participação no esquema.
Lucila Costa Meireles, presa fora do Amazonas, atuava como lobista do grupo e se apresentava como advogada sem registro na OAB. Mensagens analisadas sugerem que ela pagou propina a um servidor do Judiciário para obter informações sigilosas.
Além disso, Núbia Rafaela Silva de Oliveira, ex-assessora parlamentar, é considerada foragida e supostamente colaborava com Lucila no esquema.
A defesa de Anabela Cardoso Freitas alegou que ela não tem vínculos com organizações criminosas e é servidora pública de boa reputação. O Tribunal de Justiça do Amazonas afirmou ter tomado medidas administrativas em relação ao servidor mencionado na operação.
A Universidade do Estado do Amazonas se isentou de responsabilidades por atos de servidores fora de suas funções institucionais.
A Polícia Militar do Amazonas informou que o cabo preso irá responder judicialmente e administrativamente. A Prefeitura de Manaus declarou que não é alvo da operação e que os servidores investigados responderão individualmente.
A Câmara Municipal de Manaus orientou que questionamentos sejam dirigidos aos gabinetes dos vereadores envolvidos.
A reportagem aguarda retorno da Assembleia Legislativa do Amazonas.
← Voltar para as notícias