Operação contra crime organizado atinge Faria Lima e setor de ...
Operação Carbono Oculto: Atingindo o Coração do Crime Organizado
Agentes da Polícia Federal, Polícia Militar, Gaeco e Receitas Federal e Estadual iniciaram a Operação Carbono Oculto em São Paulo, cumprindo 200 mandados de busca e apreensão em 10 Estados.
Na manhã desta quinta-feira, 28 de agosto, a Avenida Faria Lima, epicentro financeiro do Brasil, foi marcada pela presença das forças de segurança. Esta operação é considerada a maior até o momento em combate à infiltração do crime organizado na economia formal.
Com cerca de 1.400 agentes, a ação mira 350 alvos, muitos deles localizados na Faria Lima, onde 42 alvos foram identificados, abrangendo empresas, corretoras e fundos de investimento.
As investigações revelaram que a principal instituição de pagamentos sob suspeita, a BK Bank, teve movimentações financeiras irregulares que totalizaram R$ 17,7 bilhões. Estima-se que o esquema criminoso tenha sonegado R$ 1,4 bilhão em tributos federais e R$ 7,67 bilhões em tributos estaduais.
As autoridades apontam a ocorrência de uma variedade de crimes, incluindo adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e fraudes fiscais. Os suspeitos teriam conquistado influência sobre a cadeia produtiva de combustíveis através de associações com grupos econômicos e operadores ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Justiça já decretou a indisponibilidade de diversas usinas de álcool, administradoras de fundos e redes de postos de gasolina, com um total de 17 distribuidoras de combustível e 21 pessoas físicas sob investigação.
Um dos aspectos alarmantes da operação é a importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá (PR), que estava sendo desviado para adulterar gasolina, gerando lucros bilionários.
O Cenário na Faria Lima e o Setor de Combustíveis
Com um setor que representa 10% do PIB nacional, a operação também investiga como os criminosos buscavam proteger seus ativos e expandir sua influência no mercado financeiro. Na Faria Lima, as equipes estão investigando 14 fundos imobiliários e 15 fundos de investimento.
Os núcleos da organização criminosa são liderados por empresários como Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, que se associaram a outros grupos para dominar a cadeia de produção e venda de combustíveis, utilizando dinheiro ilícito para aumentar seu poder econômico e político.
Após operações anteriores, os suspeitos tentaram blindar seu patrimônio, mas continuaram a atuar de forma irregular. As distribuidoras de combustíveis ligadas ao grupo têm características semelhantes, levantando suspeitas sobre sua real operação.
Adulteração de Combustíveis e Impactos ao Consumidor
A adulteração de combustíveis, especialmente com metanol, tem causado sérios problemas à saúde e à segurança dos consumidores. Em um posto de Niterói (RJ), o etanol vendido continha 92,1% de metanol, muito acima do limite legal de 0,5%.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) registrou um aumento significativo nas infrações relacionadas ao metanol, com 187 registros em 2023, um aumento de 73,5% em relação ao ano anterior.
As operações também revelaram conexões com grandes facções criminosas, incluindo o PCC, evidenciando um esquema complexo de fraudes que afeta a segurança do abastecimento no Brasil.
Com um desvio estimado de R$ 30 bilhões por ano, as investigações continuam, revelando um cenário alarmante que não apenas impacta a economia, mas também a saúde pública.
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