OpenAI revela como o ChatGPT foi usado para golpes e espionagem mundo afora
OpenAI identifica uso indevido do ChatGPT em golpes e espionagem
A OpenAI baniu contas associadas a agências de segurança da China, redes de fraudes amorosas e grupos que tentam manipular a opinião pública global. Um relatório de ameaças de fevereiro de 2026, divulgado recentemente, detalha como a ferramenta foi empregada de maneira imprópria em campanhas contra líderes políticos e autoridades governamentais.
De acordo com a empresa, criminosos combinaram o uso da inteligência artificial (IA) com estratégias tradicionais, como redes sociais e sites fraudulentos, para aumentar sua credibilidade. As táticas incluíram a criação de agências de namoro falsas, falsificação de documentos e a imitação de escritórios de advocacia.
Operações globais interrompidas pela OpenAI
Uma das operações, relacionada à polícia chinesa, utilizou o ChatGPT para elaborar ataques de influência direcionados à primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Embora a IA tenha se negado a colaborar em um plano de ataque direto, acabou sendo empregada para gerenciar centenas de contas falsas e organizar relatórios. O objetivo era silenciar críticas e intimidar opositores do governo chinês, tanto no território quanto fora dele.
No Sudeste Asiático, uma rede no Camboja aplicava um golpe romântico visando homens na Indonésia. O grupo se utilizava do ChatGPT para elaborar textos e anúncios convincentes, levando as vítimas a sites falsos que exigiam pagamentos exorbitantes. Estima-se que essa operação, que combinava esforços humanos e automatizados, afetava centenas de pessoas mensalmente por meio de manipulação emocional.
A OpenAI também detectou contas da rede russa Rybar sendo usadas para criar e traduzir conteúdos em redes sociais como X/Twitter e Telegram. A análise revelou que o desempenho de postagens não dependia apenas do conteúdo gerado por IA, mas também da popularidade do autor. Além disso, usuários frequentemente alternavam entre diferentes modelos de IA para evitar restrições e otimizar o trabalho.
Fora do cenário político, criminosos se passaram por policiais americanos e advogados para extorquir dinheiro de pessoas que já haviam sido vítimas de fraudes. Outros grupos tentaram obter informações confidenciais sobre a localização de prédios federais nos EUA e solicitaram ajuda para utilizar programas de troca de rostos em vídeos.
A OpenAI ressalta que a divulgação dessas informações é crucial para que o setor tecnológico e a sociedade em geral estejam cientes e se protejam contra essas novas ameaças digitais.
(Essa matéria usou informações da OpenAI.)
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Já escreveu para sites, revistas e jornais, e atualmente contribui para o Olhar Digital com uma ampla gama de temas.
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