Crimes digitais

ONU alerta: esquema internacional obriga milhares de pessoas a praticar crimes digitais

ONU revela que esquema internacional força milhares a cometer crimes digitais

Milhares de pessoas estão sendo obrigadas a participar de esquemas internacionais de crimes digitais, enfrentando condições desumanas, conforme denúncia da Organização das Nações Unidas (ONU). A maior parte dessas redes opera no Sudeste Asiático, mas há expansão para outras regiões do planeta.

O alerta foi publicado em um relatório do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que compila centenas de depoimentos de vítimas. O documento revela um panorama de graves abusos, como tortura, agressões físicas, exploração sexual, abortos forçados, restrição alimentar e confinamento em isolamento.

Relatos indicam que as vítimas eram mantidas em grandes complexos que se assemelhavam a “cidades autossuficientes”, com prédios fortificados, muros altos e cercas de arame farpado, além de segurança armada. Esses centros estavam localizados em países como Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos entre 2021 e 2025. A ONU também identificou indícios de atividades dessas redes em nações da África e das Américas.

As pessoas eram forçadas a realizar golpes online, como roubo de identidade, extorsão e fraudes financeiras. Aqueles que não atingiam as metas impostas enfrentavam severas punições.

Sobreviventes relataram que colegas morreram ao tentar escapar, e os que eram recapturados sofriam agressões e castigos.

As vítimas vêm de diversas partes do mundo, com uma significativa presença de cidadãos asiáticos. O relatório também menciona casos de aliciamento em países europeus, como França, Alemanha e Reino Unido, além de nações da América Latina, incluindo Peru, Colômbia, Brasil e México.

De acordo com o documento, ninguém entre os entrevistados recebeu os valores prometidos pelos recrutadores. Há indícios de conivência ou envolvimento de agentes públicos, incluindo policiais e autoridades de fronteira.

Apelo por resgates e apoio às vítimas

Diante das evidências, a ONU solicita operações de resgate seguras e coordenadas, além da criação de programas de assistência e reabilitação para os sobreviventes.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, classificou o conjunto de violações como alarmante, descrevendo a extensão dos abusos como esmagadora e pedindo ação coordenada da comunidade internacional.

Em um relatório anterior, divulgado em 2023, a organização já estimava que centenas de milhares de pessoas haviam sido forçadas a participar de esquemas de fraude online. O novo documento indica que o problema persiste e continua a se agravar.

As informações foram divulgadas pela Agência Lusa.

Vitória Lopes Gomez é jornalista formada pela UNESP e redatora no Olhar Digital.


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