Maria Bethânia

Obra revisita Maria Bethânia no teatro político da ditadura

No dia 14 de março, o jornalista e pesquisador Paulo Henrique de Moura lançará, em Belo Horizonte, o livro Maria Bethânia, primeiros anos – da cena cultural baiana ao teatro musical brasileiro. A obra oferece uma nova perspectiva sobre o início da carreira da cantora na década de 1960, destacando sua participação em espetáculos com forte carga política. O evento ocorrerá das 11h às 14h na Van Gogh Quadros, localizada no bairro Lourdes.

Publicada pela Editora Letra e Voz, a obra é baseada na dissertação de mestrado defendida por Moura na Universidade de São Paulo, em 2024. O estudo explora a inserção de Maria Bethânia na cena cultural da Bahia e sua ascensão nacional, especialmente a partir de sua participação no espetáculo Opinião, em 1965, no Rio de Janeiro.

O livro analisa a fase em que a jovem artista deixou Salvador para substituir Nara Leão em Opinião, uma produção de Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes, sob a direção de Augusto Boal. Esta montagem é reconhecida como um marco no teatro de resistência ao regime militar que se instaurou naquele ano.

Bethânia, ao lado de João do Vale e Zé Kéti, apresentou a música Carcará, uma composição de João do Vale e José Cândido. Essa apresentação a projetou nacionalmente, consolidando sua imagem como uma artista de grande força cênica e expressividade dramática.

Sob a direção de Boal, a cantora também participou, em 1965, dos espetáculos Arena Canta Bahia e Tempo de Guerra. O primeiro contou com artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e Jards Macalé, enquanto o segundo foi escrito especificamente para ela, inspirado em textos de Bertolt Brecht.

Moura ainda revisita montagens do Teatro Vila Velha, em Salvador, como Nós, Por Exemplo e Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova, que foram experiências precursoras do movimento tropicalista.

Para reconstruir esse período, o autor consultou o acervo do Teatro Vila Velha e recuperou críticas e documentos da época, incluindo um texto de Carlos Coqueijo, publicado no Jornal da Bahia, que elogiava a performance da jovem artista.

A pesquisa conta com depoimentos de figuras como Rodrigo Velloso, Gilberto Gil, Jards Macalé, Djalma Corrêa, Roberto Santana, Thereza Eugênia, Edy Star e da própria Maria Bethânia. Segundo Moura, o intuito foi reconstruir processos criativos de espetáculos que carecem de registros audiovisuais completos.

Além disso, o estudo apresenta documentos que revelam o monitoramento da artista por órgãos de repressão da ditadura militar, devido à sua participação em produções de conteúdo político e sua postura pública.

“Escrever sobre os primeiros anos de Bethânia é revisitar um Brasil que também buscava se compreender”, ressalta Moura. Ele acredita que o livro busca recuperar o momento em que a artista define uma linguagem própria, marcada pela fusão entre música, teatro e poesia.

O lançamento do livro faz parte da agenda cultural da capital e amplia o debate sobre a interseção entre música popular brasileira, teatro político e a história recente do país.

Autor: Paulo Henrique de Moura
Data: 14 de março
Horário: 11h às 14h
Local: Van Gogh Quadros
Endereço: Rua Fernandes Tourinho, 1036, Lourdes, Belo Horizonte
Entrada gratuita
Editora: Letra e Voz
Páginas: 206
Preço: R$ 68


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