Objetivo de ataques dos EUA é a mudança de regime, diz ex-embaixador do Brasil no Irã
Objetivo dos ataques dos EUA é mudança de regime, afirma ex-embaixador do Brasil no Irã
28/02/2026 15h01
Atualizado há 10 minutos
Os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã na madrugada deste sábado (28) têm como foco principal a mudança de regime, em vez de serem motivados apenas pelas negociações sobre o programa nuclear iraniano. Essa análise é de Eduardo Grandilone, ex-embaixador do Brasil no Irã e atual vice-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior.
“O objetivo é realmente mudar o regime e, para isso, é necessário destruir um aparato complexo no Irã”, declarou em entrevista ao InfoMoney.
EUA e Israel lançam ataque conjunto contra o Irã
Trump promete devastar o aparato militar iraniano e encerrar o programa nuclear; Teerã anuncia que prepara resposta, elevando os temores de uma escalada no Oriente Médio.
Apenas dois dias antes, o chanceler de Omã, Badr Albusaidi, havia comentado no X que as negociações entre os EUA e o Irã estavam avançando. Agora, o diplomata demonstra descontentamento com os ataques, que complicariam o progresso das conversas, conforme mencionado por Grandilone. Isso indicaria que a verdadeira intenção seria a troca de regime, não um acordo sobre questões nucleares.
A situação no Irã é diferente da vivida na Venezuela. Uma troca de comando que favoreça a colaboração com os Estados Unidos é considerada mais difícil no momento. O ex-embaixador aponta a falta de uma oposição organizada como um dos principais obstáculos.
“Não existe uma oposição unida e institucionalizada, como ocorre na Venezuela. A noção de quem assumiria o poder é vaga”, afirma.
A revolta popular, sugerida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em mensagem divulgada neste sábado, também não seria simples.
“Diversos grupos atuam no Irã, incluindo forças governamentais e movimentos pró-regime, tudo isso sem um líder opositor”, observa. Mesmo que o governo fosse derrubado, a reconstrução institucional e a relação com a população seriam extremamente desafiadoras.
Sobre a possível ampliação do conflito com a participação de outros países da região, Grandilone menciona a reação da Arábia Saudita, que condenou os ataques contra sua capital, Riad. Ele também recorda que o Catar se manifestou após ser alvo de ataques iranianos em base americana em seu território.
“O que se observa agora é um protesto generalizado dos países do Golfo afetados”, diz.
O embaixador destaca que, se o Irã se sentir acuado diante de seus vizinhos e dependendo da natureza dos ataques dos EUA, pode reagir de forma “desesperada”, incluindo a possibilidade de se retirar do Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares ou até mesmo fechar o Estreito de Ormuz.
“Vejo o fechamento como menos provável. Seria uma atitude suicida, pois isso também prejudicaria o próprio Irã, que utiliza esse canal para transportar seu petróleo”, conclui.
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