Obesidade: Conitec decide não incorporar Wegovy e Saxenda no SUS; ‘Escárnio’, diz médica
Conitec rejeita inclusão de medicamentos para obesidade no SUS
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) decidiu não incluir os medicamentos liraglutida e semaglutida, conhecidos como Saxenda e Wegovy, respectivamente, no SUS. A decisão baseou-se em avaliações que consideram a relação entre benefícios e custos.
Desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, esses medicamentos, que são análogos do GLP-1, mostraram resultados promissores na perda de peso, alterando a forma como a obesidade é tratada. O GLP-1 é um hormônio que, após a ingestão de alimentos, ajuda a retardar o esvaziamento gástrico, promovendo a saciedade.
Na reunião do dia 20, dois pedidos foram negados. O primeiro, feito por diversas sociedades médicas brasileiras, solicitava a inclusão da liraglutida para pacientes com obesidade e diabetes tipo 2. O segundo pedido, da farmacêutica Novo Nordisk, buscava a inclusão do Wegovy para tratamento de obesidade grau 2 e 3, sem diabetes e com doença cardiovascular.
Os relatórios que justificam a negativa ainda não estão disponíveis no site da Conitec, mas os pareceres iniciais, publicados em maio, já apontavam que os benefícios das medicações não compensariam os altos custos, uma avaliação contestada por especialistas e pelas farmacêuticas.
Em relação à semaglutida, o parecer também indicava incertezas sobre a duração do tratamento. Ambas as condições, obesidade e diabetes tipo 2, são crônicas e requerem um tratamento contínuo.
Esta não é a primeira vez que a Conitec rejeita medicamentos para a obesidade. Anteriormente, a comissão também havia negado a incorporação de sibutramina, orlistate e a própria liraglutida.
Atualmente, o SUS não oferece opções de medicamentos para o tratamento da obesidade, focando em abordagens não farmacológicas, como atividade física, alimentação saudável e suporte psicológico. Para pacientes com índice de massa corporal (IMC) elevado, a cirurgia bariátrica pode ser indicada, mas a falta de equipes multidisciplinares e o lento processo de oferta dificultam o acesso ao tratamento.
Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel) indicam que, entre 2006 e 2023, 55,4% da população brasileira apresentava sobrepeso e 24,3% vivia com obesidade, um problema crescente de saúde pública.
A endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora da Comissão de Advocacy da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), criticou a decisão, chamando de "escárnio" a quinta negativa de incorporação de medicamentos para obesidade.
Em nota, a Novo Nordisk defendeu que o Wegovy é custo-efetivo e reconheceu os desafios impostos pelo subfinanciamento do SUS. A empresa se comprometeu a continuar dialogando com o Ministério da Saúde e outras partes interessadas para ampliar o acesso a tecnologias inovadoras no combate à obesidade no Brasil.
← Voltar para as notícias