O show de horrores da extrema direita na CPMI do INSS
Sem qualquer vergonha, parlamentares bolsonaristas perpetraram mais um ataque à democracia ao manipular a votação para quebrar o sigilo de Lulinha.
A extrema direita no Brasil se revela como um grupo de indivíduos desprezíveis, perceptível sob qualquer ângulo, seja moral, intelectual ou estético. Não bastou a prisão de líderes golpistas; esse grupo persiste em seu espírito golpista, executando pequenos golpes contra a democracia.
Agindo como valentões de colégio em filmes de Hollywood, eles desrespeitam as regras do parlamento e impõem sua vontade por meio da intimidação. Recentemente, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social, a CPMI do INSS, se transformou em mais um palco de disputa eleitoral, com bolsonaristas tentando vincular o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a escândalos, mesmo que para isso precisassem alterar as regras do jogo.
Sob a presidência do senador Carlos Viana, do Podemos, a comissão ignorou normas claras: em votações simbólicas, conta-se a maioria presente no plenário. Com 21 parlamentares, sendo 14 governistas, a vitória do governo era evidente. Contudo, Viana ignorou a presença dos governistas e declarou vitória da oposição por 7 a 0, em um golpe escandaloso, visível a todos os presentes.
Entre os 87 requerimentos submetidos, estava a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que surgiu como suspeito de ser sócio oculto do principal operador do esquema do INSS. Após manipular a votação, a oposição saiu vitoriosa nas manchetes, apresentando-se como responsável pela quebra do sigilo de Lulinha.
Entretanto, essa foi uma encenação. O Supremo Tribunal Federal já havia autorizado a quebra de sigilos, incluindo o bancário, fiscal e telemático de Lulinha. A oposição tinha ciência disso e decidiu trazer o assunto à CPMI, buscando capitalizar politicamente. Na prática, nada mudaria na investigação sobre Lulinha.
Diante da contagem fraudulenta, parlamentares governistas protestaram, resultando em uma confusão no plenário. Os oposicionistas conseguiram o que queriam: apareceram como defensores da ética que quebraram o sigilo do filho do presidente, enquanto os governistas foram retratados como arruaceiros. O cinismo da oposição demonstra que a prioridade não é investigar os desvios do INSS, mas criar narrativas eleitorais que coloquem o governo como cúmplice.
As CPIs sempre foram usadas para fins eleitorais, mas o bolsonarismo intensifica essa prática, sem escrúpulos em fraudar as regras do jogo.
Na mídia, a briga no plenário recebeu destaque, mas as razões por trás dela foram tratadas de forma superficial. A fraude na contagem de votos foi relegada a um segundo plano.
A imagem passada à população foi a de mais uma confusão em um parlamento acostumado a ser desrespeitado. Na verdade, trata-se de um golpe regimental do mesmo grupo que tentou um golpe de estado, e cujos líderes estão atrás das grades.
Houve quem chamasse a manipulação da votação de “olé” da oposição. No futebol, isso se refere a um grande drible, mas aqui soa como uma normalização da picaretagem, como se a ação golpista fosse comum no parlamento.
Na busca por uma isenção performática, alguns jornalistas evitam rotular “golpe” como “golpe” e “golpista” como “golpista”. Uma fraude na contagem de votos se transforma em “olé” e é reduzida ao senso comum, onde todos os políticos são vistos como iguais. Parte da mídia não apenas falha em seu compromisso com a verdade, mas também se torna cúmplice da erosão institucional promovida pelo bolsonarismo.
As fraudes no INSS começaram durante o governo de Michel Temer, ganharam força sob Jair Bolsonaro e continuaram no governo Lula. O escândalo envolve todos os espectros políticos, mas as investigações, conduzidas pela Controladoria-Geral da União e pela Polícia Federal, têm avançado. Servidores do INSS foram afastados, e os aposentados lesados estão sendo ressarcidos, com quase R$ 3 bilhões devolvidos a mais de 4 milhões de vítimas.
A prova de que a investigação da Polícia Federal não está sendo influenciada pelo governo é o pedido de quebra de sigilos de Lulinha. Essa autonomia não existiu durante a gestão Bolsonaro, quando o então ministro da Justiça, Sergio Moro, denunciou interferências nas investigações da PF.
A investigação contra o filho do presidente está seguindo os trâmites legais e não há indícios de boicote por parte do governo. Quando a PF pede a quebra de sigilos do filho do presidente e um ministro do STF nomeado por Bolsonaro acata, isso demonstra o funcionamento de uma democracia.
É crucial esclarecer que o protesto dos parlamentares governistas não visava impedir investigações, mas sim contestar um golpe regimental que buscava ganhos eleitorais. Embora líderes golpistas tenham sido presos, o espírito golpista persiste entre os bolsonaristas. É essencial que todos os defensores da democracia, incluindo parlamentares e jornalistas, permaneçam vigilantes contra essas ações. Não há isenção possível em uma polarização entre civilização e barbárie.
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