O recado do chefão do Comando Vermelho para o filho, Oruam
Recado do líder do Comando Vermelho ao filho, Oruam
O rapper teve o habeas corpus revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro e, atualmente, é considerado foragido.
Em uma carta, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, expressou que seu filho, Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, “tem que pagar pelo que fez”. Os documentos foram enviados ao advogado de Marcinho, Siro Darlan, e divulgados nesta terça-feira, 24, pelo jornal O Globo. Oruam teve seu habeas corpus revogado após 66 violações à tornozeleira eletrônica.
O artista enfrenta duas tentativas de homicídio qualificado por ter lançado pedras contra policiais durante uma operação no ano passado. Além disso, ele é acusado de tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. No ano passado, foi preso três vezes, tendo passado 69 dias detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio. Ao ser solto, publicou versos em defesa própria nas redes sociais, afirmando: “O Estado massacra demais / Prenderam só um menino que estava parecido com o pai”.
Na carta, Marcinho lamentou “muito por tudo que ele (Oruam) está passando, porém, ele também não vigiou, né?”. Ele ressaltou que o rapper deve responder apenas pelos crimes que realmente cometeu e não por “acusações levianas e armas portadas como estão intentando fazer com o menino”, argumentando que isso “fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade”.
“É evidente que meu filho errou, e não abono sua conduta. Ele tem que pagar pelo que fez. Entretanto, não é justo, e muito menos correto, intentarem atribuir a ele coisas que não fez. Podem aqueles que se dizem defensores da lei, da ética e da sociedade fazer injustiça em nome da lei? Enfim, Deus sabe de todas as coisas”, acrescentou em outro trecho.
Em julho do ano passado, agentes foram até a casa do cantor para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um menor, acusado de atos infracionais análogos a roubo e tráfico de drogas, que estava no local. Segundo a Polícia Civil, o adolescente seria integrante de uma facção criminosa e um dos maiores ladrões de veículos do estado.
Na ocasião, Oruam teria incitado a resistência policial ao lado de cerca de oito pessoas. Testemunhas relataram que o grupo lançou pedras contra os agentes, lesionando o policial civil Alexandre Alves Ferraz e danificando uma viatura. Essa ofensiva permitiu que o adolescente, foragido, escapasse do cerco.
Marcinho, preso há quase três décadas e chefe histórico do Comando Vermelho (CV), também afirmou que todos os seus filhos cresceram na Igreja, ressaltando que Oruam “era um menino bom, respeitador, obediente aos pais, humilde”. No entanto, ponderou que “é insofismável que o sucesso o fez tirar os pés do chão um pouco e se perder” e expressou sua esperança de que “o cativeiro sirva de reflexão para ele se apegar de novo a Deus, como fazia quando era menino, e procurar a sua melhora”.
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