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O que sobrou do programa nuclear do Irã — e ele é uma ameaça como alega Trump?

O estado atual do programa nuclear do Irã e suas implicações

O programa nuclear iraniano voltou a ser um tema de debate internacional. A recente movimentação militar dos Estados Unidos, com o envio de aeronaves e navios de guerra à região, sinaliza uma possível ação caso Teerã não finalize um acordo sobre suas atividades nucleares.

O presidente Donald Trump, em declaração feita no dia 19 de fevereiro, alertou que "coisas ruins" ocorreriam se um "acordo significativo" não fosse alcançado. Ele reiterou que "não se pode ter paz no Oriente Médio se o Irã possuir uma arma nuclear".

Embora o Irã negue ter um arsenal nuclear, muitos países e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) levantam suspeitas sobre essa afirmação.

Situação atual do programa nuclear iraniano

Após a guerra de 12 dias entre Israel e o Irã em junho do ano passado, o futuro do programa nuclear iraniano se tornou ainda mais incerto. Durante o conflito, os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares, incluindo o complexo de pesquisa em Isfahan e locais em Natanz e Fordo, que são utilizados para o enriquecimento de urânio.

Trump afirmou que essas instalações haviam sido "destruídas". Contudo, uma semana depois, o diretor da AIEA, Rafael Grossi, indicou que os danos foram significativos, mas não totais, sugerindo que o Irã poderia retomar o enriquecimento em breve. A agência estima que, na época do ataque, o Irã possuía 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, suficiente para produzir até dez bombas nucleares, caso o material fosse enriquecido a 90%.

Em novembro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o enriquecimento havia sido paralisado. Entretanto, em uma entrevista ao canal Fox News, ele provocou polêmica ao afirmar que, embora as instalações tivessem sido destruídas, a tecnologia e a determinação do Irã não poderiam ser eliminadas.

Contexto histórico do programa

O governo iraniano afirma que suas atividades nucleares são exclusivamente para fins civis e é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). No entanto, investigações da AIEA revelaram que o Irã conduziu atividades relevantes para desenvolver um dispositivo explosivo nuclear entre as décadas de 1980 e 2003. Embora a AIEA tenha afirmado que não havia indícios de tal desenvolvimento após 2009, o país firmou um acordo em 2015 com seis potências mundiais, aceitando limites severos em troca da suspensão de sanções.

Após a retirada dos Estados Unidos do acordo em 2018, o Irã começou a violar os termos, enriquecendo urânio a 60% e retomando atividades em Fordo. Em junho de 2025, a AIEA declarou que o Irã havia violado suas obrigações de não proliferação, o que levou a novos ataques de Israel.

Atividades nucleares recentes

Imagens de satélite indicam que o Irã tem realizado obras em suas instalações nucleares, como em Natanz e Isfahan. Nos últimos meses, entradas para complexos em Isfahan foram seladas e novos tetos construídos. O Irã também tem fortalecido um complexo subterrâneo conhecido como Monte Kolang Gaz La, que não foi alvo de ataques.

Capacidade de construção de armas nucleares

Embora o enriquecimento de urânio seja uma etapa, transformá-lo em uma arma nuclear envolve processos técnicos adicionais. Avaliações anteriores indicam que o Irã poderia produzir urânio suficiente para armas em "provavelmente menos de uma semana", mas especialistas divergem sobre a produção real de armas nucleares.

Em junho, militares israelenses afirmaram ter evidências de "progressos concretos" nos esforços do Irã para desenvolver componentes de armas nucleares. A especialista em controle de armas, Patricia Lewis, destacou que, após a desintegração do acordo de 2015, é viável que o Irã tenha recomeçado o desenvolvimento de ogivas nucleares.

Implicações de um Irã nuclear

A possibilidade de um Irã com armas nucleares é uma preocupação para líderes ocidentais. Trump, por exemplo, afirmou que isso poderia levar à destruição global e que um Irã nuclear seria uma ameaça à estabilidade da região. Especialistas acreditam que isso poderia aumentar tensões e provocar uma corrida armamentista, especialmente com países como a Arábia Saudita.

Embora se reconheça que Israel possui armas nucleares, isso não é oficialmente confirmado. A perspectiva de um Irã nuclear levanta preocupações sobre erros de cálculo em situações de confronto, o que poderia ter consequências desastrosas para a região e o mundo.


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