O que querem os que não querem nem Lula, nem Bolsonaro
O que querem os que não apoiam Lula nem Bolsonaro
23/02/2026 12h29 Atualizado há 8 horas
Uma pesquisa da Genial/Quaest aponta que 29% dos eleitores brasileiros não se identificam nem com Lula nem com Bolsonaro. Esse grupo, conhecido como "nem-nem", apresenta uma variedade de opiniões, alinhando-se com propostas da esquerda, como a taxação dos mais ricos, e da direita, criticando os governos petistas. Além disso, muitos membros deste grupo acreditam que "todos os políticos são corruptos", e cerca de um terço não pretende votar. O desafio para Lula e Flávio Bolsonaro será mobilizar esse eleitorado desiludido.
A pesquisa revela que, com a polarização entre as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, a disputa se concentrará na conquista dos independentes. Esses eleitores se posicionam em diversos espectros, com a maioria se identificando como centro-direita.
Com base em 27 perguntas sobre valores e posições ideológicas, a pesquisa dividiu o eleitorado em cinco grupos: lulistas (20%); esquerda não-lulista (15%); independentes (29%); direita não-bolsonarista (22%); e bolsonaristas (13%). Uma das conclusões é que bolsonaristas e não-bolsonaristas compartilham opiniões similares, o que explica a rápida ascensão de Flávio nas pesquisas após ser escolhido como o candidato.
Os independentes, em média, são mais mulheres, têm mais de 30 anos e se declaram pardos e católicos. Eles se mostram flexíveis em suas opiniões, levando à diversidade de posições. Na pesquisa realizada com 2.004 eleitores, os independentes apresentaram concordâncias com diversas propostas.
Entre os pontos em que concordam com lulistas e a esquerda, destacam-se:
- Isenção de Imposto de Renda até R$5 mil
- Aumento de impostos para os mais ricos
- Contra a facilidade na posse de armas
- Contra a proibição de casamentos entre pessoas do mesmo sexo
Em contrapartida, concordam com bolsonaristas e a direita em questões como:
- Auxílios sociais promovem a ociosidade
- Defesa da liberdade de expressão absoluta
- Ceticismo em relação à melhoria de vida durante os governos petistas
- Apoio à classificação de facções como terroristas
- Resistência a debater sexualidade nas escolas
A pesquisa também revelou que os independentes têm opiniões ambivalentes sobre temas que dividem lulistas e bolsonaristas, como o impeachment de Alexandre de Moraes e a confiabilidade das urnas eletrônicas.
Para o CEO da Quaest, Felipe Nunes, rotular um eleitor é complicado, pois muitos podem ser conservadores em um tema e progressistas em outro. O escore ideológico criado mostra que a maioria dos independentes se alinha à centro-direita.
Entretanto, essa constatação não é necessariamente favorável a Flávio Bolsonaro, já que 64% dos independentes rejeitam tanto Lula quanto Flávio. A pesquisa revelou um ambiente de antipolítica, onde os independentes expressam ceticismo em relação a todos os candidatos.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se tornou um tema de discussão. Sua falta de apoio público à campanha de Flávio gerou críticas, especialmente vindo do enteado Eduardo Bolsonaro. A campanha de Flávio enfrenta um paradoxo: ele se posicionou como um candidato antipetista, mas a falta de carisma e apoio sólido torna sua trajetória desafiadora.
Além disso, a pesquisa qualitativa revelou que a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas é amplamente apoiada, independentemente da posição política. A votação sobre essa proposta deve ocorrer entre abril e junho, e, apesar da resistência de algumas entidades, a popularidade do projeto é evidente.
Finalmente, a análise dos votos válidos tem mostrado uma tendência de aumento na efetividade dos votos no Nordeste, região majoritariamente pró-Lula, em comparação com outras regiões. Em uma disputa acirrada, cada dado se torna crucial.
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