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O que está por trás do ataque do Paquistão ao Talibã afegão?

O Paquistão tem mantido uma relação próxima com o Talibã afegão por várias décadas, sendo Islamabad um dos principais responsáveis pela formação do grupo no início dos anos 1990, como parte de sua estratégia de “profundidade estratégica” em relação à Índia. Contudo, essa aliança começa a mostrar sinais de tensão.

Na noite de quinta-feira, 26 de outubro, o Paquistão realizou uma série de ataques aéreos em áreas estratégicas do Afeganistão, incluindo bases do Talibã, em resposta a um ataque anterior contra suas forças na fronteira. Autoridades de ambos os países relataram um aumento significativo nos confrontos, resultando em pesadas perdas.

As hostilidades se intensificaram desde que o Paquistão iniciou ataques aéreos contra alvos militantes no Afeganistão, uma escalada que é distante do apoio histórico que Islamabad oferecia ao grupo.

As razões para o conflito entre os vizinhos são múltiplas. O Paquistão, que celebrou a volta do Talibã ao poder em 2021, logo percebeu que o grupo não seria tão cooperativo quanto esperava. O governo paquistanês afirma que o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), uma facção militante, opera a partir do território afegão, além de insurgentes que buscam autonomia na província de Baluchistão.

Desde 2022, a militância no Paquistão tem aumentado, com uma intensificação dos ataques do TTP. O Afeganistão, por outro lado, nega categoricamente que sua terra esteja sendo utilizada para lançar ataques contra o Paquistão.

A relação entre os dois países se complica ainda mais com as acusações mútuas. O Talibã afegão alega que o Paquistão abriga militantes do Estado Islâmico, o que Islamabad nega veementemente.

O cessar-fogo previamente estabelecido foi rapidamente desfeito devido a ataques contínuos, resultando em frequentes confrontos e fechamentos de fronteira, prejudicando o comércio e a movimentação entre os países.

Os últimos confrontos foram desencadeados por uma onda de ataques planejados por militantes afegãos, que, segundo fontes de segurança paquistanesas, estariam relacionados a incidentes que ocorreram desde o final de 2024. Um ataque recente em Bajaur resultou na morte de 11 agentes de segurança e dois civis, com a autoria sendo atribuída ao TTP.

O TTP, formado em 2007, é uma coalizão de grupos militantes no noroeste do Paquistão, conhecido por seu histórico de ataques a alvos civis e militares. O grupo também colaborou com o Talibã afegão durante a guerra contra as forças lideradas pelos EUA.

Analistas preveem que o Paquistão deve intensificar suas operações militares, enquanto o Talibã afegão pode retaliar com ataques transfronteiriços. Apesar do desequilíbrio nas capacidades militares, com o Paquistão possuindo um exército consideravelmente maior e mais bem equipado, a situação permanece volátil e imprevisível.


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