O que está por trás da estratégia para derrubar a liderança do Irã?
Gordon Corera, analista de segurança da BBC, explora a atual dinâmica entre Estados Unidos e Israel em relação ao Irã. Ambos os países afirmam ter estabelecido superioridade aérea em certas áreas do Irã, permitindo que seus caças operem livremente para atacar alvos estratégicos.
Além da força aérea, a inteligência também se destaca, possibilitando a localização e eliminação de diversos líderes iranianos. Mas qual é o real objetivo por trás dessa movimentação?
Uma das explicações aponta para a intenção de gerar confusão dentro do regime iraniano. O primeiro movimento estratégico não foi um ataque direto ao aiatolá Ali Khamenei, mas sim ações coordenadas de hackers do US Cyber Command e de unidades equivalentes de Israel.
Oficiais militares dos EUA relatam que essas ações bloquearam a capacidade do Irã de entender e reagir aos eventos, criando um cenário de desorientação. Com essa vantagem, diversos líderes iranianos de alto escalão foram atacados em locais estratégicos, após meses de monitoramento por agências como a CIA e o Mossad.
Os ataques foram impressionantes, resultando na morte de figuras-chave, como o chefe do Estado-Maior do Exército e o ministro da Defesa. Acredita-se que Israel tenha liderado essas ofensivas, enquanto os EUA reportaram ações contra o comando e controle iraniano, assim como em bases de mísseis balísticos.
Em comunicado, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, destacou que o objetivo era "atordoar e confundir" os iranianos, buscando paralisar o país. Apesar disso, Teerã havia se preparado para tais ações, instruindo autoridades a designar sucessores em segredo.
Surpreendentemente, muitas figuras importantes estavam reunidas em um único local, o que facilitou as mortes.
As consequências dessas perdas são significativas. A curto prazo, a capacidade do Irã de responder de maneira organizada pode ser comprometida, gerando confusão que, embora traga vantagens militares, também apresenta riscos.
É incerto se os mísseis e drones lançados em várias partes do Oriente Médio são parte de uma estratégia preestabelecida ou se os comandantes locais estão agindo de forma independente.
Outro ponto a se considerar é se a eliminação de líderes mudará o cálculo do Irã em relação à continuação da luta ou à busca por uma saída do conflito. Uma avaliação da CIA antes do início da guerra sugeria que a remoção do líder supremo poderia fortalecer a posição dos linha-dura da Guarda Revolucionária.
Qualquer novo líder enfrentará a difícil tarefa de decidir entre manter a luta ou negociar com os EUA. Se as lideranças continuarem a ser eliminadas, a tomada de decisões e a possibilidade de negociações ficam ainda mais complicadas.
Os EUA podem estar em busca de um novo líder que possa facilitar essa transição, mas ainda não está claro se tal figura existe ou se pode realmente assumir o controle.
Por fim, a questão que se impõe é se essas mortes facilitam uma mudança de regime no Irã. A história mostra que ataques aéreos, por si só, raramente provocam mudanças profundas, e até o momento, os EUA não demonstraram interesse em enviar tropas terrestres.
É possível que exista a esperança de que a eliminação das forças de segurança e de inteligência leve a uma revolta popular bem-sucedida, especialmente após os protestos reprimidos em janeiro. O ex-presidente Donald Trump chegou a convocar esse tipo de revolta, oferecendo anistia a membros das forças de segurança que se rendessem.
Entretanto, o regime iraniano está profundamente enraizado e fará o que for necessário para se manter no poder. Enquanto o futuro da liderança iraniana permanece incerto, a prioridade para Israel e os EUA parece ser causar o máximo de dano ao regime, com a expectativa de que uma mudança possa ser bem recebida pelo povo iraniano, embora os riscos recaiam sobre eles.
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