infomoney

O que está por trás da estratégia do FII MXRF11 para proteger dividendos

Estratégia do FII MXRF11 para Proteger Dividendos

26/02/2026 17h56
Atualizado há 11 minutos

Com um patrimônio líquido de R$ 4,3 bilhões e mais de 1,35 milhão de cotistas, o MXRF11 (Maxi Renda) distribuiu R$ 0,30 por cota — equivalente a R$ 0,10 ao mês — no último trimestre de 2025, resultando em um dividend yield anualizado de 15,45%, já considerando o gross-up do Imposto de Renda.

A estratégia do fundo é garantir a estabilidade nas distribuições, minimizando a volatilidade. “Raramente vemos picos nas distribuições. Nossa meta é suavizar os retornos”, explicou André Masseti, gestor do fundo na XP Asset, em uma apresentação aos investidores.

A liquidez do MXRF11 também se destacou. O fundo registrou uma média diária de negociação próxima de R$ 13 milhões no trimestre, consolidando-se entre os mais negociados da Bolsa. “Foi um trimestre forte, não apenas para o fundo, mas para a indústria em geral. Como o Maxi Renda é um flagship, o volume superou a média histórica”, destaca Masseti.

Viva do lucro de grandes empresas

Ao final do período, o fundo possuía R$ 12 milhões em reserva de correção monetária, o que equivale a quase R$ 0,03 por cota. Segundo o gestor, a distribuição total dessa reserva está condicionada a amortizações ou vendas de CRIs, uma vez que o fundo adota o regime de caixa.

Alocação Reforçada em CRIs

No trimestre, o MXRF11 investiu mais de R$ 70 milhões em CRIs, focando em operações indexadas a IPCA+9% e IPCA+10%. “Esses níveis de taxa agregam valor ao fundo. O rendimento atual é inferior, então essas alocações melhoram o retorno da carteira”, explicou Masseti.

O portfólio é majoritariamente concentrado em crédito imobiliário: 79% do patrimônio está em CRIs, 8% em permutas financeiras e 12% em outros fundos imobiliários. A exposição a caixa é mínima, próxima de 1%.

No book de permutas, foram feitos investimentos significativos em projetos residenciais, incluindo R$ 32 milhões em um novo desenvolvimento no Campo Belo, em São Paulo. O fundo também estruturou uma operação de retrovenda com retorno de CDI+5%, direcionada à aquisição de estoques prontos.

Na carteira de FIIs, foram vendidos R$ 63 milhões em posições, incluindo MCL11, HGRU11 e UTM11. Um destaque foi a venda do Edifício Oceania, em Santos, um ativo proveniente da execução de um CRI há mais de uma década, que gerou um lucro de R$ 2,6 milhões para o fundo. “Era um ativo que estava parado. Conseguimos desbloquear valor e monetizar essa posição”, comentou Masseti.

Predominância de IPCA e Perfil High Grade

O portfólio de CRIs do MXRF11 é composto por cerca de 90 operações, das quais aproximadamente 88% estão indexadas ao IPCA e 9% ao CDI. A remuneração média é de IPCA+9,9% e CDI+2,96%. Segundo a gestão, mais de 95% das operações são classificadas como high grade.

No book de FIIs, o fundo mantém posições estratégicas, incluindo alocações que, segundo Masseti, se assemelham a operações de crédito em termos de risco-retorno. Uma das posições destacadas é o LPLP11, ligado à Direcional Engenharia.

“É uma arbitragem interessante. No final das contas, estamos assumindo risco de crédito de uma empresa AAA listada, com remuneração entre CDI+3% e CDI+5%, enquanto a companhia capta próximo a CDI+0%. É um ótimo risco-retorno para o Maxi Renda”, concluiu.


← Voltar para as notícias