infomoney

O que esperar do discurso de Trump no Congresso dos EUA na noite desta terça (24)?

Expectativas para o discurso de Trump no Congresso dos EUA nesta terça-feira, 24

Na noite desta terça-feira, 24, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará um discurso durante uma sessão conjunta do Congresso em Washington. Após uma significativa derrota na Suprema Corte, que invalidou o pacote de tarifas contra várias nações, e com sua popularidade em declínio, espera-se que o republicano busque enfatizar as conquistas de seu governo em um momento decisivo.

Trump declarou: “Será um discurso longo, porque temos muito o que falar”. O evento está agendado para começar às 21h no horário local (23h no horário de Brasília) e ocorre na proximidade das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

Nos últimos anos, o discurso do Estado da União tornou-se um dos principais eventos do calendário político americano, sendo acompanhado por uma resposta do partido opositor. Neste ano, a réplica será feita pela governadora democrata da Virgínia, Abigail Spanberger.

O presidente passou o fim de semana se preparando, revisando o texto com um grupo seleto de assessores, segundo fontes a par dos preparativos.

Este discurso, que será televisionado em horário nobre, representa a segunda oportunidade de Trump se dirigir ao Congresso em 13 meses desde seu retorno à Casa Branca. É uma chance para persuadir os eleitores a manter os republicanos no poder.

Antes do discurso, Trump deverá oferecer um almoço para âncoras das cinco principais emissoras de TV dos EUA: NBC, CBS, ABC, Fox e CNN, além de convidar representantes de novas plataformas de mídia.

O evento acontece em um momento delicado para o presidente: as pesquisas indicam queda na aprovação, o Partido Republicano teme perder o controle de uma das casas do Congresso, e a Suprema Corte se manifestou contra sua política tarifária principal. Além disso, Trump está considerando uma ação militar contra o Irã.

De acordo com a Constituição dos EUA, o presidente deve “informar periodicamente ao Congresso sobre o Estado da União e recomendar medidas que julgar necessárias”. A expectativa é que Trump destaque suas principais realizações do primeiro ano de mandato e delineie sua agenda política futura.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump argumentará que os republicanos são os mais capacitados para enfrentar as preocupações da população sobre o custo de vida.

O presidente deve enfatizar que, com mais três anos de sua gestão e com os republicanos no Capitólio, será possível recuperar o sonho americano perdido, segundo Leavitt.

O discurso também celebrará os 250 anos da independência dos Estados Unidos.

Espera-se que Trump critique a decisão da Suprema Corte contra suas políticas tarifárias e discorra sobre tentativas de contorná-la sem depender do Congresso ou alarmar os mercados financeiros.

É provável que ele pressione os legisladores a aumentarem o financiamento militar e endurecerem os requisitos de identificação do eleitor. Além disso, defenderá as operações de imigração que geraram críticas bipartidárias após a morte de dois cidadãos americanos, um tema potencialmente arriscado antes das eleições de novembro.

A oposição planeja boicotar o discurso, optando por participar de um comício intitulado “Discurso do Povo sobre o Estado da União” no National Mall, em Washington.

O discurso ocorre em um contexto onde dois porta-aviões americanos foram enviados ao Oriente Médio devido às tensões com o Irã. Trump deve abordar os ataques aéreos dos EUA que atingiram as capacidades nucleares de Teerã e elogiar a operação que depôs o ditador venezuelano Nicolás Maduro. É provável que mencione também a atuação de seu governo na busca por um cessar-fogo na guerra entre Israel e o Hamas em Gaza.

A forma como Trump se referirá às tensões nas alianças militares com a OTAN, em razão da pressão para adquirir a Groenlândia da Dinamarca, ou sua dificuldade em cumprir a promessa eleitoral de encerrar a guerra na Ucrânia em negociações com Vladimir Putin, permanece incerta. Nesta terça, completam-se quatro anos do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Jennifer Anju Grossman, ex-redatora de discursos do presidente George H.W. Bush e atual CEO da Atlas Society, comentou que Trump pode enfatizar que as políticas de Maduro destruíram a economia da Venezuela a tal ponto que um dos países mais ricos em petróleo enfrenta dificuldades para suprir suas necessidades energéticas.

Ele deve argumentar que o petróleo venezuelano ajudará a reduzir os preços da gasolina nos Estados Unidos. Entretanto, Grossman destacou que será um desafio conectar isso às questões internas dos EUA.


← Voltar para as notícias