O que é trabalho infantil?
Trabalho infantil refere-se a qualquer atividade laboral realizada por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida, conforme a legislação de cada país. No Brasil, a proibição se aplica a quem ainda não completou 16 anos. No entanto, é permitido o trabalho na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. Para atividades noturnas, perigosas ou insalubres, a restrição se estende até os 18 anos incompletos.
A proibição do trabalho infantil no Brasil é diferenciada pela faixa etária e pelo tipo de atividade:
a) até 13 anos – proibição total;
b) entre 14 a 16 anos – exceção para aprendizes;
c) entre 16 e 17 anos – permissão parcial, mas com restrições a atividades noturnas, insalubres, perigosas e penosas, conforme as 93 atividades listadas no Decreto n° 6.481/2008.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2019, realizada pelo IBGE, cerca de 1,768 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estão empregados, representando 4,6% da população nessa faixa etária.
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O Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) revelou que, entre 2016 e 2019, o número de crianças e adolescentes trabalhadores no Brasil diminuiu de 2,1 milhões para 1,8 milhão. No entanto, dados regionais não foram disponibilizados na nova série histórica.
Embora a série histórica indique uma tendência de queda, o FNPETI alerta que essa redução é insuficiente para garantir a erradicação do trabalho infantil até 2025, conforme compromisso do Brasil com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A meta torna-se ainda mais desafiadora devido à crise socioeconômica exacerbada pela pandemia da Covid-19, que impactou políticas públicas e recursos destinados à fiscalização do trabalho.
O Mapa Interativo do Trabalho Infantil, do Criança Livre de Trabalho Infantil, utiliza dados da PNAD de 2015 para comparação.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) registrou que, em 2016, 152 milhões de crianças e adolescentes foram afetados pelo trabalho infantil. Apesar de uma redução de 47 milhões entre 2008 e 2012, a realidade persiste, especialmente no setor de serviços.
A OIT classifica as piores formas de trabalho infantil em sua Convenção 182, que abrange atividades com elevados riscos à saúde e ao desenvolvimento, como exploração sexual e trabalho em condições insalubres.
Trabalhos frequentemente aceitos socialmente, como vendedores ambulantes e guardadores de carros, tornam o trabalho infantil invisível, perpetuando sua aceitação.
A sociedade deve reconhecer os impactos do trabalho infantil, tanto físicos quanto psicológicos, e entender que a infância deve ser um tempo dedicado à educação, brincadeiras e socialização.
Trabalho infantil artístico
O artigo 8º da Convenção 138 da OIT admite, em circunstâncias excepcionais, a participação de crianças em atividades artísticas, desde que haja autorização judicial que estabeleça condições de trabalho.
Entretanto, a discussão sobre os efeitos da fama e glamour sobre o desenvolvimento infantil é polêmica e ainda carece de consenso entre especialistas.
O Ministério Público do Trabalho tem estudado o tema e formulou diretrizes sobre as condições para a autorização do trabalho infantil artístico, corroboradas por juízes e promotores em um encontro nacional sobre o assunto.
Em 2014, segundo o IBGE, 2,778 milhões de adolescentes entre 14 e 17 anos trabalhavam no Brasil, mas apenas 503 mil estavam em condições legais. A maioria dos adolescentes estava em trabalhos sem proteção social, fora da escola ou nas piores formas de trabalho infantil.
A contratação de aprendizes é crucial na luta contra o trabalho infantil. Os adolescentes nesta condição têm garantidos direitos à educação, profissionalização e proteção social.
As empresas de médio e grande porte são obrigadas a contratar aprendizes, mas muitas não cumprem essa cota. O contrato de aprendizagem deve ser formalizado por escrito e respeitar diretrizes de formação profissional.
O aprendiz com deficiência não está sujeito a limites de idade ou duração do contrato. Cabe a ele desempenhar suas funções com diligência.
Trabalho infantil priva crianças e adolescentes de uma infância adequada. A legislação, como o ECA, é fundamental para a proteção e promoção dos direitos desse público.
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