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O que é o Escudo das Américas, a nova iniciativa de Trump para o continente, liderada por secretária demitida

O que é o Escudo das Américas, a nova iniciativa de Trump para o continente, liderada por secretária demitida

Crédito, BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images

O Escudo das Américas, uma nova iniciativa liderada pela secretária de segurança interna da República Dominicana, Kristi Noem, que Trump anexou à sua presidência, está sendo discutido em uma cúpula em Miami, com a presença de Trump e líderes de 12 países da região.

A iniciativa não tem como objetivo repelir mísseis, drones ou outras ameaças militares contra o território ou os interesses dos EUA. Em vez disso, está voltado para o combate ao narcotráfico, ao crime organizado e à imigração irregular, segundo as autoridades americanas.

"Espero trabalhar para desmantelar os cartéis que inundaram nossa nação com drogas e mataram nossos filhos e netos", declarou Noem, cujas responsabilidades e deveres daqui para frente não estão totalmente claros.

O objetivo do Escudo das Américas é combater a imigração irregular, mas também tem como objetivo repelir a expansão chinesa na região, afirmando que a doutrina de segurança nacional busca estabelecer uma barreira contra potências adversárias.

O especialista Carlos Solar, do Royal United Services Institute (RUSI) no Reino Unido, acredita que a cúpula tem um viés ideológico: os 12 líderes convidados são de direita e apoiaram Trump ou foram apoiados por ele em algum momento.

"A doutrina de segurança nacional busca estabelecer uma barreira contra potências adversárias e, embora não seja explicitamente declarada, é claramente direcionada à China", afirma Solar.

Manfredi, professor de Jornalismo e Estudos Internacionais da Universidade de Castilla-La Mancha (Espanha) e da Universidade de Georgetown (EUA), sugere que o Escudo das Américas também tem como objetivo conter a expansão chinesa na região.

"O Escudo das Américas visa reduzir, ou pelo menos mitigar, o impacto dos investimentos chineses na região", afirma Manfredi.

O comércio entre a América Latina e a China tem aumentado constantemente nos últimos anos, e a China é atualmente o principal parceiro comercial da América do Sul e o segundo mais importante para a América Latina como um todo.

Manfredi também acredita que a implementação da Doutrina de Segurança Nacional pode ser um passo na implementação da Doutrina Monroe, publicada em dezembro passado, que busca restaurar a preeminência dos EUA no Hemisfério Ocidental.

A Doutrina Monroe foi apelidada de "Donroe" pela Casa Branca, por ser uma versão atualizada da Doutrina Monroe de 1823, na qual os EUA rejeitavam qualquer possível interferência das potências coloniais europeias no continente.

O especialista em relações internacionais Adam Ratzlaff acredita que o Escudo das Américas é mais um passo na implementação da Doutrina de Segurança Nacional que Washington publicou em dezembro passado.

"A nova perspectiva trumpista considera a América Latina como um espaço que precisa ser apoiado, defendido e protegido por meio do poder político, incluindo influência nos processos eleitorais e apoio a certos atores, mas sobretudo por meio da geoeconomia", afirma Ratzlaff.


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