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O que é BradSaúde, criada pelo Bradesco via Odontoprev e que projeta faturar R$ 52 bi

BradSaúde: A Nova Holding do Bradesco

Em 27 de fevereiro de 2026, o Bradesco (BBDC4) anunciou uma reorganização significativa, transferindo todas as suas operações de saúde para a Odontoprev (ODPV3). Com essa mudança, a empresa será renomeada como BradSaúde, transformando-se em uma holding que incluirá a Bradesco Saúde, a rede hospitalar Atlântica e participações na Fleury (FLRY3) e na Rede D’Or (RDOR3). A nova companhia projeta uma receita de R$ 52 bilhões e um lucro líquido de R$ 3,6 bilhões para 2025.

Analistas do BTG Pactual afirmam que a criação desse novo player altera a dinâmica do setor de saúde na bolsa brasileira, tornando a companhia uma plataforma robusta, bem capitalizada e diversificada. A reação do mercado foi positiva, com ações da Odontoprev subindo quase 14% no dia do anúncio, refletindo a expectativa de ganhos de escala e eficiência.

A principal motivação para essa operação é dar visibilidade a ativos que anteriormente estavam "escondidos" no balanço do banco. A Genial Investimentos destaca que essa manobra permitirá que o mercado avalie o negócio de saúde pelo seu valor real, e não apenas pelo custo histórico.

Antes da transação, os ativos estavam avaliados em R$ 15 bilhões no patrimônio líquido do Bradesco, mas após a alta das ações, essa cifra saltou para R$ 38,9 bilhões.

De acordo com a Genial, a transação é positiva para ambas as empresas e seus acionistas. Para o Bradesco, a estrutura pode melhorar os índices de capital, enquanto os investidores da Odontoprev devem ver um aumento de 21% no lucro por ação devido à nova estrutura financeira.

Além disso, a Genial observa que a BradSaúde está sendo negociada a 11,8 vezes o preço sobre lucro (P/L) de 2025, um desconto interessante comparado aos 20,5x da Rede D’Or.

O Morgan Stanley, que possui recomendação neutra para as ações da Odontoprev, destacou que a lógica do investimento mudou significativamente. Os analistas explicam que o Bradesco agora exerce controle direto sobre a holding, mudando a visão de uma operadora de odontologia para uma holding do ecossistema de saúde. Utilizando a técnica de "soma das partes" (SOTP), a nova empresa foi avaliada em R$ 48,1 bilhões.

Os analistas ressaltam que a reorganização não é apenas contábil, mas também visa focar em ganhos operacionais reais através de vendas cruzadas. A ampla base de clientes da Bradesco Saúde facilitará a oferta de planos odontológicos e vice-versa. Durante uma videoconferência, a nova gestão indicou que o foco será no segmento de Pequenas e Médias Empresas (PME), onde há maior potencial de crescimento.

O BTG Pactual observa que a nova estrutura amplia a flexibilidade de alocação de capital e fortalece a posição competitiva da empresa. A holding poderá acelerar a expansão em seguros, hospitais, diagnósticos e outras áreas de saúde. Um Bradesco mais capitalizado também pode beneficiar parceiros como a Rede D’Or, acelerando investimentos na joint venture Atlântica D’Or.

A eficiência operacional será incrementada pela unificação de sistemas e redução de despesas administrativas. Com uma estrutura única, a BradSaúde aumentará seu poder de negociação com prestadores de serviços hospitalares e clínicos. Segundo a Genial, a simplificação da estrutura societária traz uma lógica mais clara para os ativos de saúde.

Com a reorganização, o Bradesco controlará 91,35% da BradSaúde, mantendo apenas 8,65% em circulação. Esse percentual é inferior aos 20% exigidos pelo Novo Mercado da B3, o que exigirá ajustes nos próximos 18 meses. O banco poderá manter essa posição temporariamente, mas deverá implementar medidas como aumento de capital ou follow-on para atender ao percentual mínimo, gerando mais entradas de caixa para o grupo.


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