O que a PF descobriu na investigação das fraudes no INSS - G1
Descobertas da PF sobre fraudes no INSS
Investigações revelam que associações estavam descontando mensalidades de aposentados e pensionistas sem autorização. O prejuízo estimado pode chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
A Polícia Federal (PF) está apurando um grande esquema de fraudes no INSS, que envolve descontos ilegais nas aposentadorias e pensões.
As associações utilizavam assinaturas falsas para realizar esses descontos mensais sem consentimento.
Além disso, dirigentes e servidores do INSS teriam recebido vantagens indevidas, resultando na demissão do presidente do órgão.
O esquema era liderado por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", que movimentava milhões por meio de empresas ligadas à fraude.
A operação da PF abrangeu vários estados brasileiros e revelou um esquema complexo de desvios.
Estrutura da fraude
As investigações conduzidas pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU) indicam que as associações:
💰 Ofereciam propinas a servidores do INSS para acessar dados de beneficiários;
✍️ Utilizavam assinaturas falsas para autorizar descontos;
💻 Criavam associações de fachada, muitas vezes dirigidas por idosos ou pessoas de baixa renda.
Duas associações funcionaram no mesmo endereço em Fortaleza (CE) por mais de quatro anos, sob a direção de Cecília Rodrigues Mota, que realizou 33 viagens internacionais em menos de um ano.
As associações cadastravam aposentados e pensionistas sem autorização e realizavam descontos diretamente na folha de pagamento, muitas vezes sem que os idosos soubessem.
Há registros de casos em que aposentados foram filiados a mais de uma entidade no mesmo dia, com erros de grafia semelhantes nos documentos, sugerindo fraudes.
A liberação em massa de descontos pelo INSS, sem autorização individual dos beneficiários, foi identificada como um fator que facilitou as fraudes.
Suspeitos envolvidos
Dirigentes e servidores do INSS estavam envolvidos, recebendo vantagens indevidas para facilitar os descontos.
➡️ 11 entidades foram identificadas como responsáveis pelos descontos e movimentação de recursos.
➡️ Seis pessoas ligadas a associações em Sergipe foram detidas. Os nomes não foram divulgados.
➡️ Seis servidores do INSS, incluindo o presidente demitido, foram afastados pela Justiça.
🚨 Antonio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", é apontado como o lobista central do esquema, responsável por articular repasses e lavar dinheiro.
Ele teria feito pagamentos a várias pessoas ligadas ao INSS, incluindo a esposa do procurador-geral do órgão.
A defesa dessas pessoas negou as acusações e não forneceu comentários adicionais.
O papel de "Careca do INSS"
Antonio Carlos Camilo Antunes é o principal suspeito do esquema. De acordo com a PF, ele:
É sócio de 21 empresas, sendo pelo menos quatro envolvidas nas fraudes;
Movimentou R$ 24,5 milhões em pouco mais de cinco meses;
Era procurador com "plenos poderes" em várias associações.
Em 2024, foram registrados 742.389 pedidos de cancelamento de descontos indevidos, com 95,6% dos aposentados afirmando não ter autorizado os descontos.
As reclamações foram contra 11 associações suspensas pela Justiça após o início da operação.
Os dados mostram um crescimento significativo nos descontos indevidos, com R$ 639 milhões no primeiro semestre de 2023 e R$ 1,63 bilhão no primeiro semestre de 2024.
Cidades afetadas
O esquema foi particularmente concentrado em cidades do Nordeste, especialmente no Maranhão e no Piauí, onde em 19 municípios mais de 60% dos aposentados e pensionistas sofreram descontos.
A CGU constatou que associações filiaram aposentados que moravam a grandes distâncias, o que levantou suspeitas.
A operação e seus resultados
Na operação "Sem Desconto", realizada pela PF e pela CGU, foram apreendidos ao menos R$ 41 milhões em bens, incluindo:
R$ 1,7 milhão em dinheiro;
61 veículos de luxo, avaliados em R$ 34,5 milhões.
Reação do governo
Após a operação, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva suspendeu todos os descontos associativos e prometeu devolver os valores descontados indevidamente.
O ministro da Previdência, Carlos Lupi, admitiu que foi alertado sobre os aumentos de descontos não autorizados, reconhecendo a demora em tomar providências.
O presidente do INSS foi demitido no dia da operação, sendo este o segundo a deixar o cargo sob a atual administração.
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