PCC O PCC e o CV não querem um narco-estado. As condições ...

O PCC e o CV não querem um narco-estado. As condições ...

A Aliança entre PCC e CV: Uma Análise Crítica

Em fevereiro de 2025, a trégua entre duas das mais poderosas organizações criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), acendeu alarmes no setor de segurança pública. Após uma década de confrontos, esse entendimento visava unir forças para lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e aquisição de armamento pesado. Relatórios da inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro indicaram que até um banco digital foi criado para movimentar os R$ 6 bilhões que o CV movimentou no último ano. Contudo, em abril, a aliança foi abruptamente desfeita.

Estudos de dois pesquisadores do Observatório de Segurança Pública e Relações Comunitárias da Unesp, Eduardo Armando Medina Dyna e Vinicius Pereira de Figueiredo, aprofundaram-se na relação entre o PCC e o CV, revelando que a imensa expansão das facções dificulta a coexistência pacífica em um cenário de competição acirrada por rotas e territórios.

Em entrevista ao Jornal da Unesp, os pesquisadores abordaram a origem da trégua e os fatores que levaram ao seu colapso. A história de rivalidade entre as facções, com uma breve aliança no passado, não conseguiu se consolidar devido à complexidade das dinâmicas regionais. Facções menores, localizadas em regiões como o Norte e Nordeste, não aceitaram a paz proposta, resultando em um retorno à hostilidade.

O temor gerado pela trégua, que sugeria a possibilidade de um "sindicato unificado" do crime, foi discutido por Dyna, que destacou que, apesar da sensação de medo, a diversidade de interesses entre as facções impede uma união estável.

A análise sobre o crescimento de facções ao longo do século 21 foi também realizada. O aumento da criminalidade está diretamente ligado a fatores econômicos, sociais e políticos. O boom econômico na primeira década de 2000 e a consolidação do PCC nas periferias contribuíram para essa expansão, que se intensificou após 2015, abrangendo toda a América Latina.

A ideia de que o Brasil poderia se tornar um narco-estado foi debatida, com Figueiredo argumentando que, ao contrário da Colômbia, onde o tráfico influencia diretamente a política, no Brasil essa relação ainda não se concretizou. Embora haja influência criminal, não se pode classificar o país dessa forma.

Dyna complementou que o uso do termo narco-estado pode distorcer a realidade, sugerindo que as facções buscam uma relação de simbiose com o Estado, em vez de dominá-lo. O conceito de governança criminal seria mais apropriado para descrever a relação entre crime e instituições.

A recente execução de um delator do PCC no aeroporto de São Paulo levantou preocupações sobre a infiltração do crime organizado nas forças policiais. Figueiredo observou que essa ação serve como um recado do PCC, refletindo uma longa história de corrupção e vínculos entre forças de segurança e facções, mas que não caracteriza um narco-estado.

Dyna e Figueiredo concordam que, embora existam conexões entre crime e polícia, isso não implica em uma associação total. O combate ao crime ainda é uma realidade, especialmente em áreas como o Rio de Janeiro, onde operações policiais são frequentes.

A discussão sobre a possibilidade de um narco-estado no Brasil toca em questões mais amplas sobre a degradação da segurança pública e o crescimento das facções, refletindo uma realidade complexa e multifacetada.


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