O nome que preocupa o Planalto no caso Master
Nome que preocupa o Planalto no caso Master
O empresário baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, é o principal foco de preocupação do Palácio do Planalto no caso Master, segundo apuração da CNN Brasil com fontes próximas ao governo.
Ex-sócio de Daniel Vorcaro, que foi preso na operação de novembro, mas liberado posteriormente, Lima prestará depoimento na Polícia Federal no final de janeiro. O governo federal está especialmente atento ao que ele pode revelar.
O principal motivo para essa preocupação é que a relação de Lima com o petismo se estende mais longe do que a de Vorcaro com o Centrão.
O Ministério Público junto ao TCU busca garantir acesso a dados sigilosos relacionados ao caso Master. Além disso, o BRB contratou um advogado da Câmara para atuar neste caso.
Essa conexão entre Lima e o governo começou em 2018, quando o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), estava à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante a gestão do então governador Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil.
Naquele ano, Augusto Lima venceu uma licitação para a venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos) e criou o CredCesta, um cartão de crédito consignado com taxas de juros muito inferiores às do mercado, voltado principalmente para funcionários públicos. O sucesso do empreendimento levou à "exportação" do modelo para outros estados. Vorcaro viu potencial na iniciativa e, em 2020, Lima se tornou sócio do Master, trazendo o CredCesta, que se tornou um dos principais ativos do banco.
Entretanto, a relação entre Lima e Vorcaro nunca foi próxima. Interlocutores de Lima informaram à CNN Brasil que ele solicitou sua saída da sociedade no Master em maio de 2024, ao descobrir negócios feitos por Vorcaro através de terceiros.
A ostentação de Vorcaro também desagradava Lima, que é descrito como uma pessoa discreta. Atualmente, ele controla o Banco Voiter, que, em agosto deste ano, passou a se chamar Banco Pleno, responsável pela administração do cartão CredCesta.
Fontes próximas à investigação apontam que Lima, e não Vorcaro, tem potencial para conectar o caso Master ao núcleo do governo Lula, devido ao seu histórico na Bahia. No entanto, suas relações não se limitam a esse grupo político.
Lima também mantém vínculos com figuras da direita baiana, como ACM Neto (União) e João Roma, presidente do PL na Bahia. Ele é casado com Flávia Peres, ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL), que decidiu se afastar da política após não receber apoio familiar para sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal em 2022.
Recentes conversas com Lima indicam que ele não pretende avançar para uma colaboração premiada, argumentando que não tem informações a delatar. Ele se considera um injustiçado e acredita que a operação contra ele foi motivada pelo incômodo de parte do setor financeiro com o sucesso do CredCesta. Um aliado mencionou que um banqueiro paulista tentou adquirir o negócio, mas Lima recusou prontamente.
A estratégia atual de Lima é se distanciar de Vorcaro e das possíveis irregularidades do Master, enfatizando seu desligamento da sociedade em maio de 2024, um ano antes da tentativa de aquisição do Master pelo BRB.
A CNN Brasil tentou contato com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com o secretário de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, mas não obteve resposta.
A equipe de Jaques Wagner enviou uma mensagem esclarecendo que o senador conheceu Augusto Lima em 2017, quando ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia. Naquela época, uma de suas atribuições era conduzir o processo de venda do Supermercado Cesta do Povo, durante o qual Lima apresentou proposta e arrematou o ativo.
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