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'O medo está por todo lado': BBC visita cidade do México transformada em zona de guerra por disputa entre facções do tráfico

Medo e Violência em Culiacán, México

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, elogiou as forças especiais pela captura do narcotraficante mais procurado do país, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho. O traficante foi morto em um violento confronto no estado de Jalisco no último domingo.

No entanto, o repórter da BBC, Quentin Sommerville, revelou que em Culiacán, no estado de Sinaloa, a ausência de um líder poderoso pode resultar em um aumento da violência entre facções em busca de controle.

"A sensação de medo é constante", afirma o paramédico Héctor Torres, que presenciou a cena de um tiroteio em uma garagem. O proprietário foi encontrado morto em seu escritório, com a esposa em desespero.

Nos últimos 18 meses, o cartel de Sinaloa tem enfrentado uma guerra interna após traições entre seus líderes. A prisão de Ismael "El Mayo" Zambada contribuiu para o caos na região, alertando sobre os riscos que o país enfrenta.

Torres destaca que a violência nunca foi tão intensa e duradoura em Culiacán, com um aumento de mais de 70% nos chamados para atendimento. Muitos dos incidentes resultam em mortes, e a insegurança permeia até locais como escolas e hospitais.

"O cartel de Sinaloa era uma grande família, agora estão em um conflito mortal", explica Torres, referindo-se à transformação do tráfico em um negócio bilionário, com a produção de fentanil.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, declarou os cartéis como organizações terroristas, ameaçando ações militares diretas se o México não contiver a violência e o tráfico.

Os paramédicos, equipados com coletes à prova de balas, enfrentam o medo constante de serem atingidos durante os atendimentos. Ao retornarem à base, a cidade, antes vibrante, se tornava deserta ao anoitecer.

Com o aumento da violência, o governo mexicano enviou tropas para Sinaloa, mas sequestros e assassinatos se tornaram frequentes. Um corpo encontrado em um shopping evidenciava a brutalidade, deixando uma mensagem de uma facção rival.

Culiacán, uma cidade próspera, está marcada pela violência crescente. O repórter Ernesto Martínez destaca que, apesar da presença militar, os homicídios se mantêm em uma média alarmante.

Para tentar entender a situação, Sommerville se reuniu com membros de uma facção local. Armados e mascarados, eles afirmaram que o governo deveria deixar que se matassem até que restasse apenas um cartel. Um dos participantes expressou remorso pelas mortes de inocentes, enquanto outro foi mais contundente, afirmando que a guerra continuaria.

A busca por desaparecidos também é uma realidade dolorosa. Reynalda Pulido, mãe de um jovem desaparecido, lidera um grupo de mães em busca de seus filhos, enfrentando a indiferença das autoridades.

Enquanto as mães vasculham a terra em busca de corpos, Pulido reflete sobre sua dor e determinação. "Uma mãe sempre procurará seu filho, não importa onde."

No coração do problema está o comércio de fentanil. Román, um membro do cartel, revelou que a produção da droga continuará, independentemente das ações governamentais.

A presidente Claudia Sheinbaum culpou a luta interna do cartel pelo aumento da violência, afirmando que seu governo tenta minimizar os danos aos civis.

Em uma recente chamada de emergência, Torres e seu colega atenderam a vítimas de um tiroteio, demonstrando a urgência e os riscos que enfrentam diariamente. Apesar da presença militar, a violência continua a ser uma sombra constante sobre Culiacán.


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