Carlos Brandão

O Maranhão segue fortalecendo sua base produtiva

O Maranhão avança em sua base produtiva

Ser maranhense é um motivo de orgulho, especialmente por conhecer cada canto deste estado. Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de sentar à mesa com pessoas simples e trabalhadoras, ouvindo suas histórias de luta e esperança.

Nesses momentos, percebi que o Maranhão não necessita de promessas grandiosas, mas sim de condições reais para produzir.

Anos atrás, enquanto atuava como deputado federal, conheci um agricultor que cuidava de sua horta quase sozinho. A irrigação era feita manualmente, com um regador comum. Ele produzia pouco, não por falta de determinação, mas por falta de infraestrutura. Vi um potencial enorme ali e percebi que um apoio objetivo poderia transformar aquela realidade. Assim, conseguimos viabilizar um kit simples de irrigação.

Quando voltei, tempos depois, a área plantada havia se expandido, as culturas estavam diversificadas e a produção tinha um novo padrão. Não foi milagre, mas sim uma condição de trabalho que ele precisava.

Esse exemplo é aplicável a milhares de famílias que dependem da agricultura familiar. Recentemente, avançamos de forma concreta para enfrentar gargalos históricos.

No setor leiteiro, temos certeza de que mudanças significativas estão a caminho. O Maranhão conta com o segundo maior rebanho bovino do Nordeste, com mais de 10 milhões de cabeças.

Entretanto, por muito tempo, os produtores de leite em pequena escala enfrentaram um problema simples e cruel: a falta de armazenamento.

Para resolver essa questão, entregamos 80 tanques de resfriamento, com capacidade de 2 mil litros cada, para agricultores das regiões Tocantina, Sertão e Médio Mearim, totalizando um investimento de R$ 1,8 milhão, por meio do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma).

Além disso, já havíamos zerado o ICMS do leite e derivados e facilitado o crédito com juros subsidiados, em parceria com o Banco do Nordeste. Garantimos mercado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Leite) e fortalecemos a assistência técnica, com a colaboração da Aged, Agerp, Sagrima e o próprio Iterma. Essas ações fazem toda a diferença.

Nesta mesma semana, entregamos 5.120 kits e equipamentos voltados à agricultura familiar, incluindo roçadeiras, motores de rabeta, sistemas de irrigação e forrageiras, com um investimento de R$ 10 milhões. Também autorizamos a construção de 1.830 cisternas, assegurando segurança hídrica para consumo e produção.

A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos maranhenses. Se ela não contar com a estrutura necessária, o estado inteiro é impactado. E essa estrutura também abrange a segurança jurídica.

Por isso, estamos executando o maior programa de regularização fundiária já realizado no Maranhão: o Paz no Campo, que foi premiado como o melhor programa de regularização fundiária do Brasil.

Até agora, já entregamos 35 mil títulos pelo Iterma – 18 mil na zona rural e 17 mil na urbana, beneficiando aproximadamente 40 mil famílias, além de termos regularizado 40 territórios quilombolas.

Um título definitivo garante acesso a crédito, capacidade de investimento, estabilidade para planejar o futuro e a certeza de que a terra é um patrimônio que será passado para as próximas gerações.

Estamos em um processo de fortalecimento da base produtiva. Quando o pequeno produtor se desenvolve, o comércio local prospera, a indústria de laticínios se expande e a renda circula. Não há desenvolvimento sustentável sem um campo estruturado.

Queremos preparar os pequenos agricultores – como o que mencionei no início – para crescerem. Aqueles que trabalham antes do sol nascer merecem condições adequadas. É isso que estamos assegurando.


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