O fim da blindagem na CPMI
As tentativas constantes da base do governo Lula para proteger investigados na CPMI do INSS finalmente foram barradas. Na reunião deliberativa desta semana, o líder do governo na comissão, Paulo Pimenta (PT-RS), adotou uma estratégia do tipo "ou tudo ou nada", apresentando um requerimento para rejeitar de uma vez todas as convocações e quebras de sigilo propostas. Eram mais de 80 requerimentos, que poderiam antecipar o encerramento dos trabalhos da comissão caso fossem arquivados.
A oposição, porém, conseguiu se organizar. Utilizando o regimento do Senado a seu favor, garantiu que a votação fosse simbólica. Com a ausência de um número suficiente de parlamentares da base na hora da votação, a oposição comemorou a aprovação conjunta de todos os pedidos. O plano que visava enterrar a CPMI acabou por revitalizá-la, encerrando as tentativas de blindagem promovidas pelos petistas.
Agora, a CPMI do INSS terá acesso a documentos que permitirão aprofundar as investigações deste escândalo. Será possível entender melhor como Fabio Luis "Lulinha" da Silva, o filho do presidente, se envolveu nesse esquema, além de examinar a atuação do Banco Master e de outras figuras de reputação questionável.
Os sigilos de Lulinha, do Banco Master e de presidentes de outros bancos que operam com consignados para aposentados do INSS poderão ser quebrados, e esses indivíduos poderão ser convocados para depor. Esta é uma vitória histórica para a oposição em seu combate à corrupção que atinge aposentados e pensionistas brasileiros.
O episódio também revelou uma clara falta de articulação por parte do governo, bem como uma certa soberba dos petistas. As blindagens obtidas anteriormente deram à bancada do governo uma falsa sensação de segurança, que se mostrou equivocada.
Com tantos novos fatos, a questão que se coloca é se Lulinha seguirá protegido.
A CPMI do INSS agora possui documentos suficientes para investigar mais a fundo o escândalo e compreender como os tentáculos do Banco Master se estenderam sobre os aposentados brasileiros.
Diante do trabalho que ainda precisa ser feito, não há justificativa para que os trabalhos da comissão não sejam prorrogados por mais 120 dias após o primeiro prazo de 28 de março. Um pedido de prorrogação já foi protocolado com 175 assinaturas de deputados e 29 senadores. Agora, cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, cumprir o regimento e declarar a prorrogação. Enquanto a blindagem dos petistas chega ao fim, o trabalho da CPMI para alcançar os grandes figurões envolvidos nesse roubo está apenas começando.
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