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O corpo, templo divino

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O poeta satírico Juvenal viveu em Roma entre 55-127 d.C. e criticava severamente os imperadores romanos, especialmente Domiciano, por oferecer apenas pão e circo ao povo. É comentado que ele tinha inclinação para o atletismo. Dele provém a famosa frase “Mens sana in corpore sano”, frequentemente citada nas escolas para incentivar a prática de atividades físicas. O cuidado com o corpo também é mencionado na Bíblia: “Não sabeis que vosso corpo é santuário daquele que habita em vós?” (1Cor 6,19), afirma o apóstolo Paulo. Essa perspectiva fundamenta uma “teologia da corporeidade humana”, inspirada no Gênesis, que diz que “Fomos criados à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1, 26-27). Santo Agostinho costumava alertar os fiéis de Hipona: “Tende cuidado com vosso corpo. Ele é o santuário de vossa alma.

Durante meu tempo no Seminário, ouvia frequentemente essas afirmações. Contudo, desde a infância, sempre tive uma tendência cartesiana, subestimando as atividades físicas e optando por ser sedentário e um leitor voraz. Seguia as orientações de médicos e profissionais de saúde mais por obrigação do que por devoção. Meu corpo acabou por se rebelar, desenvolvendo um quadro avançado de artrose nos joelhos, o que me levou à dependência de uma cadeira de rodas. As prescrições médicas não surtiram efeito, e, se não fosse meu bom humor, herdado do pai, poderia ter caído em uma depressão profunda. Mas, como diz a Escritura: “Ele é nosso refúgio e fortaleza, socorro sempre encontrado nos perigos” (Sl 46/45, 1).

O tempo passava e, embora não me revoltas, escutava de profissionais da saúde que “não havia mais jeito, tudo era paliativo.” Analgésicos, anti-inflamatórios, infiltrações e sessões de fisioterapia tornaram-se parte da minha rotina. No entanto, percebi que muitos pacientes necessitam do toque humano. “Este toque também transmite a energia de quem cura”, é um princípio da medicina oriental. Cristo tocava os enfermos (Mt 8, 13; Mc 1, 40; Lc 4, 40). Chaplin também alertava: “Sois homens e não máquinas.” Atualmente, muitos priorizam tecnologias sofisticadas. Como sabiamente disse Dr. Celso Matias de Almeida: “A clínica é soberana. As melhores sondas são os nossos dedos.” Dúvidas pairavam sobre mim.

Deus tem Seus próprios caminhos e Sua hora. Sempre me tocam as palavras do profeta Isaías: “Os meus pensamentos não são os vossos… Meus planos estão acima dos vossos” (Is 55,8). O tempo de Deus não segue a cronologia humana. Em meio a tantas angústias, mantive a confiança em “Aquele que me fortalece: Jesus Cristo” (Fl 4,13). Chegava a brincar com amigos e irmãos sacerdotes, dizendo: “Já fui quase cego, hoje sou cadeirante e a surdez já dá sinais.” Enquanto minha lucidez persistir, registro minha gratidão a muitos, especialmente ao meu fisioterapeuta Gildásio Lucas de Lucena. Compartilho essas experiências para que outros possam refletir sobre situações semelhantes. Naum escreveu: “Deus protege em quem Nele confia” (Na 1,8).

Certa vez, Gildásio veio me visitar, trazido por meu amigo Monsenhor Lucas. Ele acreditou em mim e percebeu que poderia ajudar. Dominando bem anatomia, fisiologia, biomecânica e ética, iniciou o tratamento, sempre explicando cada passo, percebendo meu ceticismo. É um excelente professor e pesquisador em sua área. Mostrou que as técnicas são essenciais na reabilitação, mas não têm valor sem o convencimento do paciente ou o amor e dedicação do profissional. A prioridade era reativar meus músculos adormecidos, uma tarefa difícil devido ao tempo de inatividade e minha descrença. Não posso deixar de lembrar também da contribuição da querida fisioterapeuta **Daliany


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