O advogado de confiança de Augusto Lima e Daniel Vorcaro
O advogado de Augusto Lima e Daniel Vorcaro
Daniel Monteiro foi fundamental na compra do Credcesta e, a partir disso, passou a exercer a função de assessor legal do Banco Master.
22/02/2026 17h53 Atualizado há 2 dias
Um advogado com especialização em direito bancário e mercado de capitais foi o responsável por unir Daniel Vorcaro e Augusto Lima, que se tornaram sócios no Banco Master. Daniel Lopes Monteiro, sócio do escritório Monteiro Rusu, adquiriu ações do BRB em uma transação com Vorcaro. Reconhecido pelo PT na Bahia, Monteiro teve papel ativo na privatização de uma empresa no estado antes de se dedicar ao banco, acumulando uma considerável fortuna, segundo fontes próximas.
Nos últimos anos, a relação com o banco se consolidou de tal forma que o advogado tinha uma sala no edifício Victor Malzoni, em São Paulo. Monteiro construiu um patrimônio que inclui desde uma coleção de carros de luxo até um avião, conforme relatado por essas fontes.
A aproximação entre eles começou com o Credcesta, que operava um cartão de crédito consignado na Bahia e se tornaria um dos principais ativos do banco. O Credcesta foi criado pela Empresa Bahia de Alimentos (Ebal), que era estatal e foi privatizada. Monteiro participou da venda para a sociedade NGV SPE Empreendimentos e Participações, que cedeu os direitos de operação do Credcesta para a PKL One, de Augusto Lima.
Monteiro já prestava assessoria a Lima quando apresentou a Vorcaro a proposta de aquisição do Credcesta, em 2018. Vorcaro, na época à frente do Banco Máxima, pagou R$ 22 milhões pela compra de 50% da PKL One.
A relação entre Monteiro e Lima facilitou a entrada de Vorcaro no círculo de poder baiano. Nascido em São Paulo, Monteiro foi homenageado pela Assembleia Legislativa da Bahia com o título de Cidadão Baiano no final de 2024, uma honraria proposta pelo deputado Rosemberg Pinto (PT).
“Com um currículo impecável e uma trajetória profissional exemplar, o indicado a esta honraria se destaca pelos seus serviços à sociedade baiana, contribuindo para o fortalecimento do serviço público na Bahia”, afirmou o deputado na ocasião. A venda da Ebal e a abertura de uma filial de seu escritório em Salvador, em 2022, foram citadas como referências.
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Monteiro teve passagens por escritórios renomados como Demarest e Cescon Barrieu, antes de fundar sua própria banca, e passou a prestar assessoria frequente para as operações do Master após a transação do Credcesta. Ele foi o responsável pela estruturação de fundos administrados pela Reag, utilizados pelo Master e seu proprietário para investimentos. Além disso, participou de operações como a compra da Will Financeira, que passou a se chamar Will Bank, e do Banco Voiter (antigo Indusval), além da venda da seguradora Kovr.
O advogado também esteve envolvido nas discussões sobre o investimento do Master no BRB, adquirindo ações do Banco de Brasília, em conjunto com Vorcaro. Ele comprou, como pessoa física, papéis do banco estatal que eram detidos pelo fundo Delta, administrado pelo Master. O fundo tinha, em novembro, R$ 30 milhões em ações do BRB.
Outro fundo, o Borneo, administrado pela Ciabrasf (do grupo Reag), revendeu parte das ações do BRB a Monteiro e a um fundo administrado pelo Master, o Celeno. Este fundo possuía R$ 129,8 milhões nesses papéis em maio de 2025. Um pouco antes, a Justiça do Distrito Federal acatou o pedido do Ministério Público e proibiu o BRB de assinar o contrato de compra do Banco Master.
As ações do Banco de Brasília detidas pelo fundo Celeno acabaram, posteriormente, nas mãos de João Carlos Mansur, controlador da Reag - que, há um mês, entrou no quadro societário do BRB. Essas operações foram estruturadas para que Vorcaro adquirisse participação no Banco de Brasília de maneira fragmentada, evitando a necessidade de divulgação ao mercado.
Atualmente, o Banco Master enfrenta suspeitas de irregularidades na venda de crédito consignado para aposentados e pensionistas, um tema que está sendo investigado pela CPI do INSS. A operação do Credcesta foi crucial para o crescimento do banco nesse segmento, até o ano passado, quando Lima encerrou sua sociedade com o Master, levando consigo o Credcesta e o Voiter. Os ativos originaram o Banco Pleno.
Master, Will Bank e Pleno estão sob liquidação pelo Banco Central, acumulando uma dívida de mais de R$ 50 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos. A complexa relação financeira e política das instituições está sendo investigada pela Polícia Federal.
Em contato com Pipeline, Daniel Monteiro afirmou que foi apresentado a Daniel Vorcaro por Augusto Lima, para quem já prestava serviços jurídicos. A atuação no Banco Master decorreu dessa relação profissional, segundo ele. O advogado, no entanto, nega ter participado de reuniões de apresentação da operação Credcesta ao então Banco Máxima e de encontros com o BRB sobre a venda do Banco Master, ressaltando que tal processo foi conduzido por outro escritório.
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