O acordo entre Cid, Camilo e Elmano
Acordo entre Cid, Camilo e Elmano
O último fim de semana consolidou um entendimento entre Cid Gomes (PSB), Camilo Santana (ministro da Educação) e Elmano de Freitas (PT) para a disputa eleitoral de 2026. A negociação, realizada na sexta-feira durante um almoço entre o governador e o senador, estabelece que Cid apoiará a reeleição de Elmano, desde que o bloco governista, que inclui Camilo, apoie a candidatura do deputado federal Júnior Mano (PSB) à vaga no Senado que seria de Cid.
No dia seguinte, Cid se uniu à comitiva liderada por Camilo rumo a Pindoretama, onde deixou claro a sua posição sobre a necessidade de um novo mandato para Elmano, sendo bem específico nesse ponto. Qualquer outra configuração que não siga esse acordo parece desviar dos entendimentos estabelecidos entre as lideranças do PT e do PSB.
Durante o trajeto, Camilo e seus aliados, incluindo presidentes de Legislativo, fizeram uma parada no encontro do MDB, onde foi oficializada a pré-candidatura de Eunício Oliveira ao Senado.
Para contextualizar, após uma série de declarações dos irmãos Ivo e Lia Gomes, Cid concedeu entrevistas, primeiro à Folha, onde comparou Camilo a um "fantasma", e depois ao correspondente do O POVO, João Paulo Biage, admitindo um distanciamento em relação ao ministro. Entre janeiro e fevereiro, a família Gomes fez diversas críticas a Camilo.
Ivo chegou a comentar que o ex-governador desejava neutralizar Cid e que não tinha mais compromisso com Elmano após negociações com a família Rodrigues, do prefeito Oscar e do deputado federal Moses (União). Menos de 48 horas após essas declarações, Cid se reuniu com o governador para uma conversa que se prolongou pela tarde, onde "tratou de tudo", segundo reportagem do O POVO.
No dia seguinte, Júnior Mano, que antes era um ponto de discórdia entre os aliados, foi visto sorridente em fotos ao lado de Camilo e Cid, acenando dentro do ônibus que o ministro dirigiu de Fortaleza para uma agenda no interior do estado, com o senador ao seu lado e o deputado mais próximo da janela.
Esses gestos, embora possam parecer insignificantes, geralmente carregam um significado importante na política. As interações entre Camilo, Cid e Elmano no final de semana foram reveladoras sobre os rumos da chapa aliada.
Pressão dentro do PT
O questionamento agora é sobre como a lista de interessados na candidatura ao Senado pela base de Elmano irá reagir. Dentro do PT, é esperado que a pressão por um representante da legenda na chapa aumente, mas não a ponto de desfazer a decisão de Camilo, que atualmente tem mais controle sobre as dinâmicas petistas do que antes, quando era governador.
Atualmente, Cid pressiona para que os governistas antecipem as definições da chapa majoritária até cinco dias antes do encerramento da janela, que se encerra em 4 de abril. O intuito é garantir tempo para um último movimento do entorno de Cid, caso as negociações não ocorram como planejado. Nesse cenário, aliados de Cid teriam oportunidade de se reposicionar, mudando de partido se necessário.
A política é um cenário em constante movimento, com políticos como protagonistas. O jornalismo é o palco onde esses acontecimentos se desenrolam.
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